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- 5 Filmes que Trazem Grandes Lições | Listas | Cinema
Acho que já disse isso em outras oportunidades, boas histórias carregam ensinamentos muito maiores que elas mesmas. O Cinema nada mais é do que uma forma mais visual de se contar histórias, e algumas delas provavelmente foram subestimadas por muitos de nós. Talvez por serem considerados, em alguns casos, “filme de criança” ou não gerar nenhum interesse por estarem no “main stream”. Vassouras voadoras, ursos lutando kung fu ou criminosos correndo em carros tunados. Nada disso parece carregar qualquer tipo de ensinamento. Tudo isso que citei no início do parágrafo serve só para atrair o público. Esses elementos são apenas o envelope enfeitado que carregam o real ensinamento por trás de tudo isso. Se você já julgou algum desses filmes pelo poster, talvez queira assistir novamente depois de entender o que realmente queriam dizer. Harry Potter e a câmara secreta Produzindo para este blog, o melhor seria não causar polêmica envolvendo Harry Potter. Garanto que não falarei mal em nenhum momento. O segundo ano do bruxo mais famoso do mundo é o meu preferido. Melhor que o prisioneiro de Azkaban (na minha opinião). Mas não é sobre isso que se trata. A grande lição que esse filme traz, se apresenta mais ao fim no gabinete de Dumbledore. Harry se questiona se realmente deveria estar na Grifinória. Sua dúvida surge depois de encontrar o diário de Voldemort e notar algumas semelhanças entre o vilão e si mesmo. Ambos falam com as cobras, a varinha de Harry é a irmã gêmea da de Voldemort e o chapéu seletor já queria mandá-lo direto para a Sonserina. Ao questionar Dumbledore sobre isso, o diretor expôs todas as características em comum entre os dois e finalizou com a pergunta: “...Então porque o chapéu seletor colocou você na Grifinória?” Depois de alguns segundo de reflexão Harry se lembra de seu primeiro dia em Hogwarts e diz: “Porque eu pedi pra ele.” E é desse ponto que vem a maior lição de todo o filme na fala de Dumbledore. “Não são as nossas características que definem quem realmente somos, são as nossas escolhas” Não importa as condições que a vida te deu, o local onde você nasceu, ou mesmo as oportunidades que você tem. O que realmente faz diferença em nossas vidas é justamente a parte que podemos controlar. As nossas escolhas! Sim senhor Nesse filme, mesmo que se trate de uma comedia existem ensinamentos importantes escondidos no meio das piadas de Jim Carrey. O filme conta a história de Carl, um jovem bancário, recém divorciado que não superou a separação. Desde o término de seu casamento, sua vida vai de mal a pior, decepcionando amigos, se prejudicando no emprego e se fechando para novos relacionamentos e para o mundo. Tudo muda quando ele é convencido ir a uma palestra motivacional que trata do poder do SIM. Depois disso o protagonista passa a dizer “sim” para tudo e sua vida muda quase que instantaneamente. Contudo, isso também gera algumas consequências que o prejudicam em seus relacionamentos e vida profissional. Dizer sim sempre, leva Carl a fazer coisas as quais não queria. Isso desaponta as pessoas próximas e a si mesmo. A grande lição deste filme consiste em não ser como Carl, nem no início do filme, nem no meio. Ou seja, não dizer sempre não e nem dizer sim para tudo. No fim, Carl percebe que não é um escravo do “sim” e que talvez saber dizer não seja ainda mais importante. A beleza da vida está em avaliar, e ponderar sobre as oportunidades que se apresentam ao longo da nossa trajetória. Talvez o mais importante seja ter a sensibilidade de perceber quando uma oportunidade se apresenta para nós. Encanto Essa animação da Disney surpreendeu a todos que assistiram, não só pela qualidade da animação, pela história tocante ou as músicas incríveis que compõem a trilha sonora. O filme conta a história de uma família Madrigal, que foi agraciada com dons extraordinários, depois de um terrível incidente. Cada membro possui uma habilidade especial: super força, super audição, falar com animais, cura, controlar o tempo, etc. A problemática se inicia quando a protagonista, Mirabel, descobre não possuir dons. E por esse motivo ela sofre pressões tanto da família quanto da sociedade que depende dos dons da família Madrigal. O enredo avança e a família acaba dependendo da ajuda de Mirabel para não perder seus poderes, que por fim consegue resolver tudo. A lição deste filme consiste em dois aspectos, na minha opinião: o primeiro é que você é importante para a sua família, independente de quem é. E o segundo é que você é uma pessoa especial independente de seus dons. Velozes e Furiosos Talvez o mais subestimado dessa lista. “É só um filme de ação com carros tunados sem nenhuma relevância!”. Mas é justamente isso que esconde a verdadeira essência desse filme. Ao contrário do que a maioria pensa, Velozes e Furiosos, qualquer um deles, não é um filme sobre carros! Nesse momento você deve estar me achando maluco, mas eu posso explicar. Os carros nesse filme são só a decoração do bolo, o glacê que chama atenção atrás da vitrine da padaria. Velozes e Furiosos é um filme sobre família. Independente de qual o elenco do filme, o tema é o mesmo. Tudo o que acontece no filme tem família como base ou justificativa. A trama avança ,porque mexeram com a família dos protagonistas, ou para proteger a família, ou mesmo resgatar algum membro dela. Um fator de destaque interessante é que os filmes finalizam sempre com um jantar em família. Pelo menos a maioria deles. Todos os personagens do filme compartilham uma refeição à mesa e fazem uma oração. Eu recomendo que você assista novamente, sem a expectativa de como vai ser a próxima corrida. Assim vai ser possível notar que a família é o que realmente move todas as ações dos personagens. Kung Fu Panda Esse de longe deve ter enganado muita gente. Um dos meus preferidos dessa lista. A maioria das pessoas não leva muito a sério por ser um filme de criança e sobretudo uma comédia. A essa altura do campeonato, você com certeza já deve ter assistido a Kung Fu Panda e não notou nada demais, além de um filme divertido. Talvez quem assistiu ao filme tenha pensado que o grande ensinamento esteja relacionado à superação, já que Po é meio gordinho e jamais poderia lutar Kung Fu. Mas a grande lição se apresenta quando o pai de Po revela o ingrediente secreto da sopa do ingrediente secreto. Vou explicar: Em vários momentos durante o filme, Po idealiza a sopa de macarrão inventada por seu pai. Inclusive quando a sopa do panda é elogiada pelos cinco furiosos ele diz : “Vocês têm que provar a sopa do ingrediente secreto que meu pai faz”. Com isso em mente, vamos ao próximo ponto. Depois que Po termina seu treinamento, ele tem direito a ler o pergaminho do dragão. Este contém o segredo do dragão guerreiro. Segundo a lenda, quem obtiver o conhecimento do pergaminho terá poder ilimitado. Para a surpresa de todos o pergaminho está completamente em branco. Sem saber o que fazer, ante o perigo iminente, o vale é evacuado. Durante a fuga, o pai de Po revela que o ingrediente secreto de sua sopa é: Nada. E em seguida completa: “para que uma coisa seja especial, basta que você acredite que ela é especial”. Se traçarmos um paralelo entre a sopa do pai de Po com o pergaminho do dragão podemos dizer que o sucesso, ou o poder ilimitado, não tem fórmula. Para que algo seja realmente especial basta que você acredite que seja especial. * E você, já tinha percebido isso nesses filmes? diga para nós qual filme faltou nessa lista _______________________________________________________ Sobre o autor: Vinicius Ramos Jornalista, apaixonado por cultura pop, quadrinhos, cinema e literatura fantástica. Tem o hábito de escrever diariamente, dormir pouco e cuidar de árvores pequenas. Goiano e goianiense, gosta de discussões longas, e animes complexos."
- Ratched: A enfermeira de Um Estranho no Ninho recebe um toque especial de Ryan Murphy | Resenha
A série original da Netflix, produzida por Ryan Murphy, conhecido por outros trabalhos como American Horror Story e Glee, é inspirada em um romance de Ken Kesey chamado de Um Estranho no Ninho. Ratched traz a jovem Mildred Ratched, interpretada por Sarah Paulson, no que seria o começo da sua carreira como enfermeira especializada em cuidar de doentes mentais. O ano de ambientação da série é 1947, o que nos garante belos figurinos, paisagens modernistas e uma abertura artística com música clássica. A série trata de estigmas e tratamentos para a saúde mental da época com um toque especial de Ryan Murphy ao envolver sempre temas relacionados ao universo LGBTQIA+. Ao longo dos oito episódios é possível entender porque Mildred se tornou uma assassina. Tudo iniciou ainda na sua infância. A retratação do amor de Mildred pelo seu irmão, que posteriormente se torna uma relação complicada, é o escopo de todos os episódios, recheados com pequenos vilões que Ryan consegue produzir tão bem. Se você ainda não iniciou a série, eu recomendo. Com episodios no entorno de 1 hora, cada um apresenta seu pequeno caso trágico que nos impulsiona a ver mais. Mas não se anime muito, parece que a série Ratched não ganhará uma segunda temporada, pelo menos por enquanto. A Netflix não se pronunciou sobre uma continuação. Há apenas rumores de que mais 8 episódios já teriam sido comprados. Por enquanto devemos esperar. _______________________________________________________ Sobre a autora: Jéssica Grossi A autora é escritora, leitora desde sua infância, lê desde infanto juvenil até literatura experimental. É fiscal de gênero de musica, amante de artes obscuras e gosta de assistir filmes (péssimos) de terror.
- Wuthering Heights: Música e Literatura | Resenha
O texto abaixo pode conter spoilers de O Morro dos Ventos Uivantes Wuthering Heights, é uma história de muitas mídias. O livro escrito em 1847, diversos filmes, inspirou poemas, peças e músicas. Mas em especial uma música lindíssima de mesmo nome composta por Kate Bush em 1978, que é o que eu pretendo discutir aqui. https://en.wikipedia.org/wiki/Wuthering_Heights_(song) E essa música sozinha é a responsável por ter me tirado de uma, relativamente longa, ressaca literária. A música que conta parte da história do livro tocou um dia desses na minha playlist do spotify e eu gostei tanto que repeti ela umas dez vezes e aí eu fiquei: “Wuthering Heights de onde eu conheço esse nome? 🤔🤔🤔” Então eu fiz o que todo mundo faz quando não sabe de alguma coisa e pesquisei no google. O google me disse que era o nome do único livro da Emily Brontë: O Morro dos Ventos Uivantes. Em minha defesa, Wuthering Heights não é uma tradução direta para O Morro dos Ventos Uivantes. Mas a melhor parte eu não te conto: eu tinha o livro em casa, desde 2020, e não era o caso de ahh era um livro de outra pessoa da casa, não era um livro MEU. Imediatamente comecei a lê-lo e MEU DEUS! Que livro maravilhoso, tô lendo devagar porque estou com pena de acabar. Quando eu terminar de ler eu escrevo uma resenha, mas voltando à música. A Kate Bush, assim como eu, meio que descobriu sem querer a história desse livro, ela viu o finalzinho de um dos filmes que estava passando na televisão, descobriu que era um livro e começou a lê-lo. Daí ela compôs, antes mesmo de ter terminado de ler o livro, a música que é simplesmente maravilhosa. Enquanto isso, de forma não relacionada, ela estava no processo de gravação de um álbum de estúdio e colocou a música entre as outras que ela estava juntando para o projeto. Ela gravou a música e insistiu que essa fosse a primeira música a ser lançada. O que deu muito certo já que a música foi o maior sucesso da carreira da cantora. A música retrata a história dos protagonistas da história Catherine “Cathy” Earnshaw e Heathcliff (sem sobrenome) que vivem uma trágica história de amor. Eventualmente a Cathy vem a falecer, o que não é nenhum spoiler já que isso é dito bem no começo do livro e a história é contada para nós em retrocesso. A letra da música retrata a situação pela visão da Cathy que se encontra em um pós-vida numa forma fantasmagórica atormentando e fica batendo nas janelas clamando para entrar ao mesmo tempo em que se lembra da relação de amor e ódio que eles viveram. Ela literalmente diz: “Eu te odiei, eu te amei também” e a compositora não se absteve de retirar trechos diretos do livro para enriquecer a estrutura poética que ela estava contando. O vídeo-clipe, ou melhor os vídeos-clipes já que ela fez dois. O primeiro foi distribuido principalmente no Reino Unido e o segundo nos Estados Unidos e mundo afora. A diferença dos vídeos é gritante, o primeiro foi gravado em um fundo preto a artista usava um vestido branco. Já no segundo ela está em um campo com neblina usando uma roupa vermelha. https://www.theguardian.com/music/2020/may/19/the-100-greatest-uk-no-1s-no-14-kate-bush-wuthering-heights O primeiro vídeo evoca uma atmosfera fantasmagórica, a cantora realmente passa a ideia de que ela é a Cathy na posição de um fantasma já que o fundo negro, a roupa branca criam um contaste interessante e partes diferentes são sendo justapostas uma sobre o outra, as vezes elas são espelhadas e por vezes ele tem uma espécie de retardo na imagem, ela se move e fica um eco da imagem dela se movendo atrás. O que traduz perfeitamente a ideia de que ela queria passar, e por a gente ter alguns momentos em que a câmera foca no rosto dela e a gente percebe que ela nunca pisca faz com que aumente o sentimento dela ser uma alma atormentada. O segundo vídeo não é ruim, mas ele é ofuscado pelo primeiro. Não me entenda errado é um bom vídeo clipe, mas o primeiro é simplesmente extraordinário. Para quem leu o livro existe um certo reconhecimento na paisagem do vídeo, pois é a mesma em que a história se passa. O ambiente bucólico, com neblinas, campos, pequenos bosques e eu quase posso ver o pântano por detrás da colina em que ela está. A dança no vídeo, os movimentos que ela faz com o rosto passam muito mais a ideia de que ela está louca do que ela é um fantasma, o que dentro da história do livro faz sentido, mas se você ignorar isso não faz muito sentido. A letra em si é maravilhosa e eu não poderia fazer jus a ela e analisá-la é difícil ser revelar detalhes específicos sobre a história que na música ficam velados. É uma música de extrema qualidade literária que se liga de maneira muito forte com o livro e é aprofundada por ele, embora funcione perfeitamente sozinha. Não entrarei em mais detalhes sobre a música eu realmente acho que você deveria ir checá-la porque é incrível. _______________________________________________________ Sobre o autor: Pedro Vieira Escrevo pois sou poeta, minhas ideias imaginárias no papel tomam forma e minha dor arte se torna.
- Matrix Ressurections: análise crítica | Resenha
Matrix 4 chegou aos streamings, e enfim pude ver o filme na tranquilidade de minha casa. Eu assisti algumas vezes, e revi mais uma vez após ouvir algumas críticas e ver outras análises. Mesmo assim minha opinião não mudou. Lembrando que o texto a seguir está repleto de spoilers, então se ainda não assistiu a Matrix Ressurections, pausa a leitura, vai lá e volta aqui que depois a gente conversa. A franquia Matrix, como todos sabemos, é um clássico maravilhoso e um marco para a história do cinema. Seja por alguns efeitos especiais que Matrix nos trouxe, seja pela narrativa das irmãs Wachowski, com suas toneladas de referências filosóficas ou metáforas à nossa sociedade e ao cotidiano. Esse texto se seguirá, partindo do pressuposto de que o leitor já assistiu e se lembra dos três filmes anteriores. Para resumir meu panorama, esse filme traz todas as consequências de Revolutions e ao mesmo tempo se conecta ao primeiro filme com diversas referências. O enredo. O filme mostra o que aconteceu com Neo, Trinity e Morpheus depois dos acontecimentos da revolução do filme três. Como sabemos, Neo e Trinity morreram no filme que antecede a esse. E em Ressurections, foram reconectados a Matrix, e para que isso acontecesse eles tiveram que ser ressuscitados, daí o título do filme, talvez. Para que ambos fossem reconectados, tiveram de ser reconstruídos. Os olhos de Neo foram refeitos e Trinity foi revivida e seus ferimentos curados. Durante os acontecimentos iniciais do filme, ficamos nos perguntando por qual motivo eles estão de volta à Matrix, e vivos. A resposta vem logo à frente quando as máquinas descobrem que Neo e Trinity produzem mais energia juntos do que grande parte da safra de humanos. Quando o programa ativa as emoções do casal, a produção de energia aumenta consideravelmente. Isso faz com que ambos tenham uma localização exclusiva no campo de cultivo. Uma imensa torre para armazenar e coletar a energia dos dois. Como eu citei no início, esse filme tem muitas referências ao primeiro. Neo é despertado novamente, e para isso todo o lance das pílulas acontece de novo, acordando no mundo real, treinamento com Morpheus e etc. A problemática do filme se desenvolve no fim do primeiro ato, quando Neo percebe um segundo berço próximo ao seu, no momento em que desperta. Concluindo ser Trinity ele então traça um plano para despertá-la e trazê-la para o mundo real. Obviamente isso enfurece as máquinas que não querem perder suas maiores fontes de energia. E aqui entra o tempero de todos os filmes de ação. Tiroteio, perseguição, morte, lutas etc. Até que a conclusão que ninguém esperava surpreende a todos. Trinity agora sabe voar e se descobre com os mesmos poderes de Neo, ou até maiores eu diria. E o fim é tão irrelevante que não interessa. O que tem de bom? Matrix é um dos melhores filmes do gênero ação, contudo, diferente de outros filmes do mesmo gênero, este tem a tradição de carregar um porção de críticas sociais e pontos de vista peculiares, que valem uma discussão mais profunda, sobretudo da nossa relação com a tecnologia. Isso aconteceu bastante com o primeiro filme da franquia. E como era de se esperar, nesses 20 anos de intervalo entre lançamentos, a linguagem do filme se atualizou junto com a revolução tecnológica que o século 21 trouxe, bem como a maior parte das discussões sociais que estão em pauta atualmente. Um bom exemplo disso é a metalinguagem presente no filme. Sabemos que Matrix é um programa/realidade virtual, que serve para manter os humanos sob controle. Contudo em Resurrections, além desse significado, Matrix é tratado com uma obra de ficção, no caso um jogo e não um filme. E como o filme fala do jogo de mesmo nome, a crítica aos grandes estúdios e ao próprio capitalismo quase grita na nossa cara, nos seguintes aspectos: Muitas vezes grandes produtoras de conteúdo quando tem uma boa história, não basta que um filme seja lançado, mas parecem espremer para que saia algo mais de uma coisa que já é completamente suficiente por si só. Sinceramente não precisava existir mais nada além do primeiro filme Matrix, pois ele conta uma história completa, fechada em si mesma, sem a necessidade de mais desdobramentos, mas mesmo assim surgiram mais três filmes. Essa crítica é bem visível nas cenas da reunião para o lançamento de um novo jogo de Matrix. Durante o brainstorm, cada membro da equipe quer impor uma ideia mais maluca que a outra, se baseando no que fez mais sucesso nas edições anteriores. Mas todos ali, têm o mesmo foco. Dinheiro e sucesso. Outro ponto positivo, está no papel feminino no filme. Talvez eu não esteja no meu “lugar de fala”, mas posso relatar o que percebi. Mesmo que Neo seja o protagonista foi dado bastante relevância para Trinity, que também sempre foi protagonista mas na maioria das vezes estava como suporte de Neo e não de fato na linha de frente como nesta obra. A expressão “girl power” cabe muito bem aqui. Como por exemplo: Quando Trinity descobre seus poderes e começa a voar, ela carrega Neo pelos ares e o salva. Nesse momento os papéis se invertem e quem depende de Trinity agora é Neo e não o contrário. Bem próximo do fim quando ela chega até o Analista de forma épica. Voando com o sobretudo ao vento, óculos escuros e soca a cara dele com uma força absurda. Até soltei um palavrão quando vi essa cena. Enquanto o Analista apanhava ele diz algo como: “Você não consegue controlar ela?” Neo está em outro canto do cômodo sem dizer nada apenas rindo da cena e talvez pensando: “como se ela precisasse de controle”. Mais um aceno à máxima em nossa sociedade, de que homens controlam suas parceiras e estão acima delas, como se fossem sua propriedade. No meu entender Trinity está muito mais poderosa que Neo nesse filme. Outra ocasião em que isso acontece é o momento da cafeteria. Neo e Trinity conversam sobre suas vidas, o clássico assunto entre pessoas que estão flertando. Trinity ou Tiffany, no caso, diz que se acha parecida com a heroína Trinity e quando ela contou isso ao seu marido ele riu dela. Aqui vemos como as mulheres são tratadas na sociedade por seus parceiros. E como a Matrix é um programa bem construído em paralelo com a realidade. O que não é tão bom assim? Como eu já citei no início, esse filme revisita as outras obras da trilogia em vários aspectos. Contudo, cada citação ou referência de um filme anterior, vem acompanhado de um flashback com a cena do filme citado. Talvez isso aconteça por dois motivos: ou estamos vendo as memórias de Neo, diretamente da cabeça dele, ou a produção do filme pensa que não assistimos, ou não nos lembramos dos filmes anteriores. Outro ponto em que minha atenção se focou foi a troca de alguns personagens. Sem desmerecer a atuação dos escolhidos, que diga-se de passagem são excelentes atores, mas superar Hugo Weaving e Laurence Fishburne é um trabalho para muito poucos. Ainda mais quando os atores se encaixam perfeitamente em seus papéis, causa uma certa estranheza ver outros no lugar. O roteiro explicou muito bem o porquê da troca, muito bem justificado, mas mesmo assim não me convenceu. Agora uma das coisas que me deixou não decepcionado, mas irritado. O Merovíngio. Ele foi um personagem tão bacana no segundo filme, desperdiçado e com um potencial enorme. Pelo visto, o que marcou mesmo foi sua paixão por xingar em francês. Quando vi o trailer e um vislumbre dele aparece, ora bem vestido e por um segundo, sujo e abandonado, pensei: “vão aproveitar ele melhor dessa vez”. Me enganei, ou melhor, me enganaram. Ainda assim, Merovíngio tem um dos melhores nós de gravata que já vi. Pra piorar, pegar balas com a boca ficou ridículo. A maneira como Neo para as balas com as duas mãos espalmadas também é ridículo, seria muito melhor se mantivesse o clássico movimento simples sem muito esforço. E aquele poder dele que parece um Hadouken também não ficou legal. Veredito. Gostei do filme no geral, tem seus defeitos como qualquer filme. Me trouxe várias lembranças e uma nostalgia agradável que só Matrix tem. Claro que poderia ser melhor. Matrix me parece uma laranja. No primeiro momento dá pra extrair muito caldo, mas à medida que o tempo passa, se continuar espremendo já não dá tanto resultado. O suco sai mirrado em pouca quantidade. E se tentar espremer o bagaço, se torna um serviço inútil, mas ainda assim tem quem consuma isso. E você? Acha que eu exagerei em alguns pontos, diga pra nós nos comentários. _______________________________________________________ Sobre o autor: Vinicius Ramos Jornalista, apaixonado por cultura pop, quadrinhos, cinema e literatura fantástica. Tem o hábito de escrever diariamente, dormir pouco e cuidar de árvores pequenas. Goiano e goianiense, gosta de discussões longas, e animes complexos."
- Inventário de Predadores Domésticos: a mente dos monstros escondidos pelos cômodos da casa | Resenha
Inventário de predadores doméstico mostra a mente dos monstros escondidos pelos cômodos da casa Está procurando uma leitura serena e pacífica? Não leia o livro de contos de Verena Cavalcante chamado de Inventário de predadores domésticos. Em uma primeira vista, você olha e vê um ótimo trabalho gráfico que só a editora Darkside consegue fazer, mas não se engane, predadores domésticos não são formigas, aranhas, grilos e vários insetos que permeiam nossas vidas. Os predadores domésticos são aqueles que vivem conosco no nosso dia-a-dia e eles recebem descrições psicológicas bem meticulosas da autora. A introdução introspectiva serve justamente para te preparar para o choque que vem a seguir. Já no primeiro conto temos a perspectiva da primeira personagem. Cada um dos que participam tem sua própria voz. Podemos perceber ao longo das páginas um grande domínio da escrita e das formas que ela pode tomar. Inventário de predadores domésticos não é apenas um livro de terror como vemos por aí, ele tem vida própria. É um universo que nos mostra que os perigos não estão muitas vezes em todos os animais irracionais que estão permeando os contos mas sim nas próprias criaturas pensantes que rondam as histórias. É interessante e imersivo entrar na mente de tantas personagens diferentes. As vezes concordamos com elas, as vezes temos medo do que possa acontecer, mas o sentimento que fica é sempre como é esquisito olhar tão intimamente assim a cabeça de alguem. Um adicional muito feliz para mim, que não havia visto antes em um livro de contos de terror, foram as short histories. Aqui no Brasil conhecemos como mini-contos. São pequenos contos, com frases curtas e objetivas que tem a função de justamente exercer o mesmo papel que um conto de várias páginas e Verena conseguiu isso muito bem. Escrever mini-contos envolve ainda mais habilidade e técnica do que escrever contos convencionais. Só mais um aviso. Eu leio livros de terror e pulp fictions há muitos anos, então preciso alertar os possíveis futuros leitores. É um livro extremamente desconcertante. Há temáticas pesadas por todas as narrativas. Não é um livro pra se ler em uma tarde ensolarada. É um livro que merece algum tempo de dedicação e principalmente compreensão. Ficha Técnica Livro: Inventário de predadores domésticos Autor: Verena Cavalcante Páginas: 234 Publicado: Editora Darkside Ano: 2021 _______________________________________________________ Sobre a autora: Jéssica Grossi A autora é escritora, leitora desde sua infância, lê desde infanto juvenil até literatura experimental. É fiscal de gênero de musica, amante de artes obscuras e gosta de assistir filmes (péssimos) de terror.
- O Amor nos faz Idiotas | Autoral
https://www.pensador.com/frase/NjA1NDUy/ Platão, um dos mais relevantes filósofos de toda a história comparou o amor a uma doença mental. E com tudo o que vimos sobre amor no decorrer da humanidade não podemos deixar de concordar com ele. O amor realmente nos priva de nossos sentidos, quando amamos não conseguimos pensar claramente e fazemos coisas que, convenhamos, são bem idiotas. Algumas das maiores histórias de amor são sobre tremendos idiotas, eu poderia citar várias, mas Romeu e Julieta já exemplifica o que eu quero dizer, a peça é sobre dois completos trouxas que ficam fazendo idiotice atrás de idiotice e cometendo diversos erros fatais, que no fim levam a morte de diversas pessoas. E ainda assim, ainda assim é a maior história de amor. A temática do amor enquanto algo prejudicial, ou as diversas formas em que ele nos faz tolos vem crescendo nos últimos tempos. Sim existem contos e histórias de casais idiotas que remontam aos tempos imemoriais dos gregos antigos, mas a modernidade não fica muito pra trás nisso. Jão - Idiota Pessoalmente não tenho o costume de ouvir muita música brasileira, eu sei erro meu. Então pra mim quando eu descubro um cantor ou cantora de quem eu realmente gosto é muito bom, podemos entender a letra em outras línguas, mas nada nunca é tão impactante quanto ouvir a canção feita pelo nosso povo em nosso idioma. O brasileiro tem muita experiência em ser feito de trouxa por amor, vide todo o repertório de sertanejo que existe nessa nação. Contudo um paulista foi talvez quem exemplificou melhor o sentimento de idiotice amorosa ao declamar: “Eu vou te amar como um idiota ama” E isso tem um impacto literário grandioso, se todas as grandes histórias de amor são sobre idiotas a melhor forma de comparação para o amor é com o amor de um idiota. Por que um idiota está disposto a ir mais longe, ele te ama o suficiente pra morrer por você, pra perdoar tudo e qualquer coisa. O que fica bem exemplificado com as escolhas das referências do vídeo-clip, especialmente as duas primeiras: Jack e Rose de Titanic e também Jack e Ennis de O segredo de Brokeback Mountain. Dois pares de completos idiotas, tanto que em Titanic Jack literalmente diz: Você é burra. Por que você fez aquilo, em? Você é burra, Rose. Por que você fez aquilo? Por que? Quer dizer a mina pulou da merda do bote salva vidas e basicamente matou o Jack, duas vezes eu não vou nem mencionar aquela maldita porta. Mas ele amava ela e ela amava ele, a ponto de morrer por ela e a ponto de desistir de todo o seu futuro por ele. Enquanto idiotas, eles se amavam a ponto de desistir de tudo em nome do amor, novamente me absterei de falar do filme, mas aquele maldito colar, é só o que eu vou dizer. Pra perdoar o imperdoável e aceitar aquilo que machuca você e ainda chamar de amor, só sendo idiota pra aceitar. “Me perdi em nós e gostei mais de você Do que você gostou de mim E tudo certo” Ao aceitar que tudo bem viver em uma relação que não se sustenta em respeito, amor mútuo e diversas outras coisas, estamos nos submetendo a um caminho fadado à falha. Um relacionamento em que as partes dele querem coisas diferentes não daria certo. Para citar a bíblia seria se colocar sob jugo desigual, que embora seja geralmente usado no sentido de não se unir em matrimônio com pessoas de religiões diferentes, pode ser, por analogia, aplicado aos momentos em que o casal tem objetivos radicalmente diferentes dentro da relação. Jugo Desigual, quando se colocavam dois animais não compatível para arar a terra e isso simplesmente não funcionava, e podia colocar os animais em perigo. Finneas - Break my Heart Again A exemplo disso, um casal com objetivos diferentes e conflitantes que dana uma das partes, creio que é possível citar a canção do Finneas, o irmão da Billie Eilish, Break My Heart Again: “So go ahead and break my heart again (...) Oh, it must be nice To love someone who lets you break them twice” “Então vá e quebre meu coração novamente (...) Ohh, deve ser legal Amar alguém que deixa, por você ser quebrado duas vezes” Alguém que está disposto a ter o seu coração partido novamente para agradar a pessoa amada é muito na minha opinião. O eu-lírico se coloca num lugar deprimente ao implorar atenção de alguém que claramente não está tão investido na relação quanto ele. Ele não sabe ao certo o que está fazendo, percebe que esse amor não é saudável e a semelhança de Platão se pergunta se esse amor o deixou louco. O Amor que julgamos merecer Amor é difícil, embora seja natural, geralmente não sabemos ao certo o que fazer com ele, não sabemos lidar com o amor. Eu nunca entendi como alguém poderia estar em um relacionamento abusivo, especialmente um que envolve abuso físico, até que eu percebi o que é realmente de verdade amar alguém. Amamos apesar das falhas, acreditamos que poderemos mudar a pessoa, que elas querem ser mudadas que de alguma maneira elas irão superar as suas falhas, nunca vivi um relacionamento abusivo, mas acredito que as pessoas que entram nesses relacionamentos se sentem da mesma forma. É o que disse Stephen Chbosky em seu romance As Vantagens de Ser Invisível: https://www.pensador.com/frase/MTE5Njg5NA/ Por aceitarmos amar assim somos idiotas ou somos idealistas? O amor nos faz tolos ou completos? É verdade que por vezes acreditamos que podemos morrer de amor ou mesmo por amor. E apesar das piadas que faço acredito que isso é bonito, acredito que não há prova de demonstração maior de amor do que dar a sua vida por outrem, embora não tenha encontrado essa pessoa em minha vida. Ou quem sabe eu sou apaixonado por um ideal, e a minha maneira fui feito de idiota pelo amor que tenha a uma ideia. _______________________________________________________ Sobre o autor: Pedro Vieira Escrevo pois sou poeta, minhas ideias imaginárias no papel tomam forma e minha dor arte se torna.
- "Um Jeito de Recomeçar", de Filipe Salomão, expõe dor da perda | Livros | Resenha
O livro de Felipe Salomão, Um jeito de recomeçar: Novos sonhos, pesadelos antigos fala sobre Carolina, dona de uma história trágica onde o pai matou a mãe. Ela, sendo a única herdeira, sai em busca do seu novo destino em uma praia distante. Há várias repetições estilísticas durante o livro. Repetições essas que provêm da mente de Carol, que não suporta mais ser chamada de Carolina. O livro em si é fluido e trata do desequilíbrio emocional que uma garota recém enlutada apresenta. Carol se depara com vários dilemas, sendo eles espirituais e sentimentais que provém dela ou dos outros personagens com quem interage. Bom, em resumo, Carol chega na praia, causa uma pequena confusão na vida de todos e vai embora. É isso. A vida é assim. É um livro curto, fácil de ler e que apresenta nuances que todos nós já passamos. Emoções como luto, perda, desconfiança, egoísmo, preconceito. Trata de assuntos difíceis com reviravoltas surpreendentes. Eu gostei do livro pois gosto de livros rápidos. Se você procura uma leitura pacífica, não leia esse livro conflituoso. Há conflitos inerentes desde o início da narrativa. A própria Carol fala sobre o bem e o mal, trata de filosofia como se fosse algo natural. Só acho importante avisar sobre os gatilhos presentes no uso. Os principais são o uso de entorpecentes, estupro e morte. Não é um romance típico, como já foi dito trata de temáticas que podem ser pesadas. Se você deseja uma leitura complexa e com muitos descritivos psicológicos você vai gostar desse livro. Ficha Técnica Livro: Um jeito de recomeçar: Novos sonhos, pesadelos antigos Autor: Felipe Salomão Páginas: 88 Publicado: Kindle Disponível para a compra na loja da Amazon, ou leitura gratuita através do Kindle Unlimited. _______________________________________________________ Sobre a autora: Jéssica Grossi A autora é escritora, leitora desde sua infância, lê desde infanto juvenil até literatura experimental. É fiscal de gênero de musica, amante de artes obscuras e gosta de assistir filmes (péssimos) de terror.
- Mortal Kombat 2021: O festival de fan-service | Análise
Pra quem, assim como eu, cresceu jogando Mortal Kombat 3 no Super Nintendo, sabe como a expectativa aumenta a cada novo filme dessa franquia. Quando um fã se dispõe a ver um filme baseado em uma série de videogame, esperamos que os atores façam tudo que os nossos personagens preferidos fazem no jogo. Nesse filme de 2021, eles se esforçaram ao máximo para chegar próximo disso. Sabemos que nem tudo que fazemos jogando é possível reproduzir na tela. Algumas coisas que acontecem no videogame não precisam de explicação, basta que elas aconteçam apenas para nos divertirmos. Por exemplo: Quando o Scorpion aplica aquele fatality que ele cospe fogo no adversário, o jogador não liga para como ele consegue cuspir fogo. Quem está se divertindo só quer ver o outro personagem queimar. Agora, quando se trata de um contexto audiovisual, tudo tem de ser bem explicado. O enredo Muito depois do sucesso do jogo, todo o lore dos personagens foi desenvolvido. Só então tivemos conhecimento que cada personagem possui uma história pregressa que o levou ao Mortal Kombat. Pra quem não sabe, ou apenas não se lembra, o Mortal Kombat é um torneio de artes marciais lendário, onde guerreiros são selecionados para defender o próprio planeta. O torneio ocorre entre algumas dimensões. Aos que perdem o torneio, tem seu planeta dominado pelo vencedor. Bem resumidamente, é isso. [SPOILER}Um defeito pesado desse filme de 2021 é que o torneio nem chega a acontecer. Tudo se desenrola na expectativa da batalha decisiva. Toda a trama se desenvolve com uma tentativa de Shang Tsung sabotar os guerreiros da Terra. Ele invade o plano terreno e tenta acabar com os escolhidos antes do torneio. [SPOILER} Outro ponto que gostaria de destacar, foi a maneira como os poderes dos personagens foram introduzidos na trama. Os poderes aqui são chamados de Arcanas. Cada um dos escolhidos para lutar no Mortal Kombat, carrega uma marca de dragão em algum lugar do corpo. Durante o treinamento cada lutador vai descobrir sua Arcana. Os personagens. Talvez o protagonista Cole seja o mais sem graça de todos. Na tentativa de atualizar a narrativa para algo mais contemporâneo, Cole é lutador de MMA, e mesmo assim não foi o suficiente para ser um bom personagem. Primeiro que não faz parte do lore da franquia, segundo seus poderes não são nada legais. A arcana de Cole se resume a uma armadura e dois bastões tonfa, que surgem do nada. Vários dos personagens de MK não estão presentes no filme, mas existem muitas referências ao longo da obra sobre cada um deles. Jhonny Cage por exemplo, não aparece em nenhum momento, mas no fim, há um poster de Hollywood escrito “Cage”, como uma referência ao personagem. Outro personagem que aparece veladamente é Nightwolf. Quando é mostrado o painel de pesquisas de Sônia, um desenho do índio aparece em destaque por alguns segundos. Já no templo de Raiden, quando os lutadores da Terra e da Exoterra se encontram pela primeira vez, existe um leque azul com várias lâminas ao fundo da cena, referência clara a Kitana. Durante um diálogo, Liu Kang cita seu mestre, Bo Rai Cho, que o levou a ordem de monges que servem ao templo de Raiden. Nesse tópico, vou conseguir explicar melhor o porquê do título desse texto. Os personagens nesse filme ficaram muito semelhantes ao que estamos acostumados nos videogames. Vou falar mais detalhadamente de cada um deles. Liu Kang Aqui ele aparece como um monge no meio do deserto. Faz parte de uma ordem liderada por Raiden e é o encarregado de instruir os outros participantes sobre as regras do torneio e sobre o destino da Terra caso percam. Ao ser apresentado aos outros personagens, Liu Kang já descobriu sua Arcana e não economiza em usá-la. Toda hora é fogo! Fogo nas mãos para iluminar o caminho, fogo para aquecer as vítimas de Sub-zero e fogo para atacar os inimigos, nem precisa falar. A respeito do “fan service”, Liu Kang executa um de seus fatalitys mais famosos. Na minha época era conhecido como “animality” onde um dragão come metade do adversário. E para quem é fã dar aquele grito de orgulho, ele também faz o seu clássico golpe da bicicleta. Kung Lao Esse foi muito bem representado na tela. Além do figurino extremamente parecido com o jogo, Kung Lao faz tudo o que realmente deveria fazer. Ele surge do chão, arremessa o chapéu e corta tudo que encontra. E a parte mais incrível foi o fatality clássico dos videogames. Ele joga o chapéu no chão, a lâmina gira em alta velocidade e corta um dos personagens ao meio. E como se já não fosse “fan service” suficiente ele diz: “flawless victory”. Nesse momento eu quase dei um grito sentado no sofá. Achei bem legal não traduzirem alguns termos. Isso nos aproxima mais ainda dos videogames, mantendo a linguagem original. Bem ao contrário do que aconteceu no filme de 1995 em que Shang Tsung diz: “Fatalidade”, tenha santa paciência! Kabal Esse personagem também ficou bem parecido, com os mesmos problemas respiratórios e as mesmas armas de ganchos. Mesmo trabalhando para o lado do mal, me empolguei bastante quando ele usa super velocidade durante as lutas. A única diferença foi não deixar os adversários tontos. Mileena Essa personagem é bastante famosa na franquia pelo seu sorriso. Pra quem não conhece, garanto que chama a atenção de qualquer um que a veja pela primeira vez. Aqui entra uma pequena crítica, apesar de manter as armas (sais) sua vestimenta não se assemelha em nada com a fantasia rosada de ninja. Sem contar a boca, bem característica, que foi substituída por apenas dentes pontudos. Kano O melhor personagem de todos, na minha opinião(nesse filme). Interpretado por Josh Lawson que também fez o farmacêutico frustrado Tate na série Superstore. Por se tratar de um ator de comédia, é risada do início ao fim em cada segundo de tela. A dublagem ajudou bastante com as piadas. A única coisa que meio que deixa a desejar é a origem do personagem. No filme, Kano é atacado por Reptile e sofre um ferimento no rosto. Daí em diante, não perde a visão nem usa a clássica máscara, contudo a sua arcana trata-se de um raio laser que sai de seu olho esquerdo. Esse laser é o fatality de Kano. Sub-Zero Pelo menos nesse filme, ele usou seus poderes de forma satisfatória, congelando partes do corpo dos adversários, balas atiradas por eles ou mesmo congelar o sangue em pleno ar, formando objetos cortantes durante a luta. No momento em que é derrotado, Shang Tsung cobre seu corpo com sombras, prenunciando sua volta como Noob Saibot. Scorpion Nesse filme, Scorpion tem um arco bem definido. Desde o início do filme, sabemos das motivações de vingança que levaram Hanzo Hasashi, a se tornar o ninja do inferno. Depois de ter o clã e a família dizimada por Sub-zero (Bi-han), jurou vingança, e aguardou por eras até a oportunidade de devolver o favor. Jax Esse eu não entendi bem. A origem dele foi bem mal colocada no enredo do filme. Em uma luta com Sub-Zero ele tem os braços congelados e amputados logo em seguida. Em recuperação no templo, os monges constroem próteses metálicas para que ele recupere os movimentos dos braços, contudo as próteses evoluem de repente em um momento de necessidade. Não ficou bem explicado se essa evolução é a descoberta de sua arcana ou apenas magia de cinema. Raiden Com toda humildade do mundo, achei esse Raiden muito jovem para o papel. A sabedoria que o personagem carrega não conseguiu ser passada pelo ator. Não que ele não atue bem, mas parece que não se encaixou no papel. Também é bem difícil sentar na mesma cadeira que Christopher Lambert e superá-lo. Shang Tsung Apesar de mal, vingativo e trapaceiro, não me convenceu. A parte boa foi que ele manteve sua habilidade de roubar almas, mas não de se transformar nas pessoas que mata. Assim como Raiden parece jovem demais para o papel. Por fim... O filme de 2021 contou uma história completamente diferente do que estamos acostumados a ver. A História de Mortal Kombat já é boa por si só, sem muito o que acrescentar. Os games já nos entregaram uma trama convincente e que a maioria de nós já aprendeu a amar. Tentar criar novas origens para os personagens ou acontecimentos que não fazem parte da cronologia canônica da franquia é um insulto aos fãs. Assistir esse filme vale pelos combates, para testar a habilidade de reconhecer as referências aos games e pelas risadas que Kano nos entrega a cada frase que fala durante o filme. Além disso, nada mais convenceria alguém a se empolgar para ver esse filme, mesmo com a pesada carga de “fan service”. E você aí? Já assistiu ao filme? Diga nos comentários o que você achou dessa nova adaptação. _______________________________________________________ Sobre o autor: Vinicius Ramos Jornalista, apaixonado por cultura pop, quadrinhos, cinema e literatura fantástica. Tem o hábito de escrever diariamente, dormir pouco e cuidar de árvores pequenas. Goiano e goianiense, gosta de discussões longas, e animes complexos."
- Shang Chi e a Lenda dos 10 Anéis |Marvel| Análise
Shang Chi é a nova aposta da Marvel para conquistar o mercado chinês, e quase conseguiu! Com lutas extremamente bem coreografadas e que acontecem em cenários completamente inesperados, esse filme nos trouxe à tona a nostalgia de ver as clássicas lutas do cinema oriental. Vale destacar que existem algumas diferenças entre o filme e os quadrinhos. Talvez a primeira delas, e a mais perceptível seja o fato de os anéis terem se tornado braceletes. O conceito de anel é algo bastante amplo, mesmo que se encaixem nos pulsos ainda possuem um formato de anel. Para você que achava que as joias do infinito eram poderosas, é porque ainda não dimensionou as possibilidades que os dez anéis são capazes de proporcionar. Mesmo que seu poder não possa ser usado a nível cósmico, ainda assim podem fazer um bom estrago aqui na Terra. Outra coisa bem diferente foram os poderes dos anéis. Nos quadrinhos, o Mandarim possui um anel em cada dedo da mão e cada um deles controla um aspecto da natureza ou da mente humana. Os anéis não surgiram na terra. Sua origem é extraterrestre, cada anel aprisiona a alma de um guerreiro cósmico. Cada anel possui um nome específico que ilustram parte de suas características e prenunciam seus poderes: Vamos relembrar cada um: Demoníaco Com a capacidade de manipular energia eletromagnética, este anel pode emitir clarões de luz intensos, capaz de cegar qualquer um nós arredores. Pode criar também fortes campos magnéticos e projeções holográficas. Espectral Talvez seja o anel mais poderoso dos 10. Ao se usar seu poder é possível desfazer todas as ligações entre os átomos do alvo, o que o desintegra instantaneamente. Com tanto poder assim, é quase que obrigatório uma desvantagem. O anel em questão precisa de um intervalo de 20 minutos entre um uso e outro. Relâmpago Com capacidade de manipular energia elétrica. É capaz de emitir rajadas de energia, e fritar facilmente, seus adversários. Sua força varia de acordo com as capacidades de seu portador. Mentiroso Controla aspectos relacionados a mente humana. Capaz de controlar os pensamentos alheios, criar ilusões e manipular as pessoas, deixando-as mais suscetíveis a obedecer ordens. Incandescente Como o próprio nome já anuncia, esse anel pode controlar o fogo. Emite labaredas em temperaturas absurdas queimando tudo a sua volta. Sua essência é controlar radiação infravermelha e térmica, e como resultado causar explosões de calor e incêndios arrasadores. Noctígeno O codinome deste anel está relacionado à noite e a luz negra. Com o poder de controlar a energia da escuridão proveniente da dimensão negra. Ele pode absorver luz e criar a completa escuridão em qualquer ambiente. Recriador Este e um concorrente direto do espectral, igualmente poderoso, esse anel é capaz de reorganizar a matéria por meio da manipulação de seus átomos. Graças a essa habilidade ele pode facilmente transmutar objetos como: transformar pedra em ouro ou palha em trigo, enfim as possibilidades são infinitas. Rodopio Esse controla massas de ar, e pode formar, furacões, tornados e ventanias. Suas aplicações são as mais diversas, podendo causar destruição e um certo controle meteorológico. Influente Esse foi bem retratado no filme, visto que todos os anéis possuem o poder deste. Esse é o anel da força bruta, capaz de produzir rajadas sônicas que se chocam com o alvo. Zero O anel de gelo, com ele é possível controlar vários aspectos das baixas temperaturas. Ideal para usar contra os inimigos que podem ser congelados e quebrados logo em seguida. Congelar o sangue, ou criar estrutura de gelo. O que tem de bom? Quem já está acostumado com o cinema chinês, pode se lembrar facilmente de títulos como O Tigre e o Dragão ou o clã das adagas Voadoras. A maioria dos filmes chineses de luta apresenta um combate em um bambuzal, não sei bem ao certo porque, mas me parece um local bem propício para embates. O bambu possui tronco resistente e maleável ao mesmo tempo, em uma luta a elasticidade do bambu pode ser bem utilizada por um lutador criativo. O bambu pode ser cortado na diagonal para formar lanças, ao mesmo tempo que pode ser tracionado e funcionar como um estilingue. Enfim as possibilidades são imensas. No filme existe sim um bambuzal e apesar de uma luta acontecer nele, bem próximo do início do filme, ele possui uma outra função. Em Shang Chi o bambuzal é vivo e funciona como uma espécie de labirinto para proteger a entrada da vila de Ta Lo. Vou retomar esse assunto um pouco mais a frente. As lutas Falando em lutas este filme é um prato cheio para quem gosta de ver boas brigas. Os movimentos são rítmicos e dão mais credibilidade ao termo arte marcial. Em alguns momentos, os oponentes podem ser facilmente confundidos com parceiros de dança, de um balé sincronizado e belo. Nesse filme, grande parte das lutas ocorrem em locais cotidianos e que jamais pensaríamos que uma luta pudesse ocorrer, como por exemplo: o vagão no metrô ou mesmo um andaime de construção. Contudo talvez o fato de os andaimes serem feitos de bambu deve significar alguma coisa. A cada novo combate a luta fica mais empolgante, mais veloz e mais épica, sem contar que o final do filme é tão surpreendente que vai fazer você cair da cadeira. A sequência de eventos escala de forma gradual sem exageros, e por fim o protagonista já está voando nas costas de um dragão milenar quando de repente... Melhor você assistir ao filme! Deixe nos comentários o que você achou do filme. Você já conhecia o poder de cada anel? O que faria se tivesse cada um deles? Conte para nós aqui em baixo. _______________________________________________________ Sobre o autor: Vinicius Ramos Jornalista, apaixonado por cultura pop, quadrinhos, cinema e literatura fantástica. Tem o hábito de escrever diariamente, dormir pouco e cuidar de árvores pequenas. Goiano e goianiense, gosta de discussões longas, e animes complexos."
- Nem Todos Temos Direito ao Sol | O Sol é Para Todos| Resenha
Mesmo antes de lê-lo eu tinha um problema com O Sol é Para Todos, nada relacionado a história ou algo do tipo, mas o simples fato da tradução do título. To Kill a Mockingbird não é de nenhuma maneira The Sun is For Everyone, eventualmente ganhei o livro de presente e o li. Ainda buscando significado para o título To Kill a Mockingbird, durante a leitura entendi que talvez o título traduzido tenha sido se não melhor que o original ao menos tão bom quanto. O livro fala sobre uma família não tradicional, um pai solteiro, um filho, uma filha e a empregada. A história é ambientada na década de trinta no sul dos Estados Unidos no estado do Alabama. Atticus, o pai, é um respeitado advogado e membro ilustre de uma respeitada e antiga família que coloca tudo a perder quando se dispõe a fazer o impensável, defender um negro. No decorrer da história ambos os títulos são explicados, numa cena no começo da história em que as crianças recebem espingardas de ar como presentes de natal e o pai diz: “(…) Lembre-se: é pecado matar um rouxinol”. E em outra no final em que eles comparam uma possível ação a um erro, o erro de matar um rouxinol. Contudo o título em português Brasil, nos trás mais do cerne da história. A história é narrada por Scout, apelido para a filha de Atticus, ela é uma menina na segunda infância que é simplesmente fora do esperado, não é como as outras meninas ou mesmo como as outras crianças. Scout é mais inteligente, o que pode ser uma benção ou uma maldição, e simplesmente não entende ou aceita muitos dos comportamentos que são estipulados e esperados que ela tenha, enquanto uma dama branca do Sul. Muito da vida dela muda quando o pai decide defender Tom, um homem negro que foi acusado de estuprar uma jovem branca. As cenas no tribunal são intensas e por muitas vezes me peguei pensando quando realmente aquele livro tinha sido escrito, na década de 60 ou olhando a nossa realidade. Foi impossível não lembrar dos massivos protestos que inundaram as redes sociais no ano de 2020, desencadeados com a morte de George Floyd. O movimento #blacklivesmatter assim como sua contraparte brasileira #vidaspretasimportam me vieram várias vezes à mente enquanto eu lia o livro. Um homem que é preso e condenado à pena capital por meio de provas circunstanciais com exceção de uma: seu genoma ter maior concentração de melanina. Em palavras grandes fica diferente, pode parecer difícil, mas a verdade é que ele era preto. Um bom homem foi condenado à morte por ser preto. E o pior é que todos sabiam que ele seria condenado à morte por isso, desde de o júri, até ele mesmo, passando pelo juiz, sua esposa, seus acusadores e até seu advogado. Os únicos que acreditavam na possibilidade dele ser absolvido eram as crianças e nós os leitores que gostamos de acreditar em reviravoltas e esperar plot twists que às vezes não existem e nesse caso esse talvez tenha sido o verdadeiro twist, esperávamos salvação, mas ela não nos foi concedida. Tom Robinson pode até ser fictício, mas ele não representaria incontáveis pessoas reais, homens e mulheres que todos os anos morrem por nada além de sua cor? http://setimacena.com/colunas/you-talking-to-me/kill-mockingbird/ Assim como Scout e Jem, seu irmão, quando eu era pequeno não costumava ver cor em pessoas, achava que só existia um tipo de gente: gente. Achava que sexo, gênero, opção sexual, religião, nacionalidade e cor eram apenas diferenças, que nos faziam únicos no meio de tantos iguais. Isso foi antes de eu aprender sobre história, sobre sociologia de ver o preconceito que mesmo pessoas boas tinham contra determinado grupo social que essa definição caiu. http://www.classicmoviehub.com/blog/to-kill-a-mockingbird-the-casting-of-scout-and-jem/ Abri mão da visão de menino para que em lugar dela algo mais triste, embora mais real, tomasse conta. Enquanto menino via o mundo como ele deveria ser, um lugar imperfeito é verdade, mas um lugar em que todos têm chances iguais. Acreditava na meritocracia, nos ideais iluministas em que todos os homens foram criados iguais, e de que não tínhamos nada melhor ou pior do que os outros, não por nascermos, não por algo tão simples quanto nascer. Acreditava eu que só éramos julgados pelas ações que tomávamos, que apenas os culpados eram penalizados, cria eu que todos nasciam com direito a um lugar ao Sol; não são belos os sonhos das crianças? Isso foi antes e agora de alguma maneira eu tenho de viver no depois. Viver mesmo sabendo que a minha utopia era só isso uma utopia infantil, em que os ideais democráticos eram completamente verdadeiros. Antes de entender o que são classes sociais, ou o preconceito racial, como o contrato social moldou a nossa realidade e como os fortes dominavam e massacraram e subjugaram qualquer um que pudessem, fossem esses seus vizinhos, mulheres, filhas ou os diferentes. Apesar de tudo como alguém que por fatores simplesmente biológicos fui ou serei de alguma maneira olhado de forma diferente, julgado pelo que ainda não fiz, colocado de lado e até mesmo silenciado. Eu ainda tenho voz, para lutar por mim e por outros, aqueles como eu e aqueles com quem eu não me identifico, por que no fundo acredito que se não é, o Sol ao menos deveria ser para todos. _______________________________________________________ Sobre o autor: Pedro Vieira Escrevo pois sou poeta, minhas ideias imaginárias no papel tomam forma e minha dor arte se torna.
- Superman e Lois: uma crítica construtiva | Análise
Superman e Lois – uma crítica construtiva. Superman e Lois estreou em janeiro de 2021 e apesar de ser aquele tipo de série para assistir com bastante tranquilidade, pois não exige tanta atenção ou expectativa. Esse texto contém alguns SPOILERS, mas nada que atrapalhe com a experiência de assistir a série. A introdução é extremamente bem feita e conta uma linha do tempo sobre os acontecimentos que se passam entre tudo o que conhecemos sobre o Superman e o que vai acontecer na série. Nesse início temos o relacionamento de Lois (Elizabeth Tulloch) e Clark (Tyler Hoechlin), o casamento dos dois e o nascimento dos gêmeos Jonathan (Jordan Elsass) e Jordan (Alexander Garfin). Sim, eles tiveram filhos. E é esse último fato que faz toda a trama caminhar. Que problemas o Superman pode ter? Como sabemos, o Superman é praticamente invencível. Vou listar alguns de seus poderes para que possamos dar contexto a frase anterior. Super força, super velocidade, super audição, super resistência (que lhe rendeu o apelido de homem de aço) o que o torna a prova de balas, visão de calor, visão de raio-x, sopro gelado e como se não bastasse ele ainda voa! A única fraqueza desse filho de Krypton é uma pedrinha do seu planeta natal chamada kryptonita. Como alguém com essas capacidades pode ter qualquer tipo de problema? A resposta vem facilmente com a introdução rápida do início da série: A FAMÍLIA. Agora o Superman tem uma família e uma das complicadas. O ambiente familiar é o único lugar em que esses poderes não podem resolver nada. Eis aqui o ponto alto da série, o melhor jeito de gerar complicações para um “deus invencível” são problemas familiares. O Batman é um ninja habilidoso, mas tem problemas com a família, Harry Potter é um bruxo corajoso, mas tem problemas com a família, Homem Aranha, Thor, Homem de Ferro, todos com capacidades incríveis mas com os mesmos problemas. Grande parte do tempo de tela de cada episódio é uma reunião de família onde os quatro discutem problemas que todos nós enfrentamos no dia a dia. Insegurança adolescente, sexualidade, atenção paterna, mudança de cidades e etc. O Superman resolve o superaquecimento de uma usina nuclear com apenas um sopro, mas não consegue fazer com que seus filhos o ouçam por dez minutos. Talvez nenhum pai de adolescente consiga. O que tem de bom? O contexto da série se divide em três pontos principais: o drama familiar, no melhor estilo casos de família, a investigação jornalística liderada pela Lois (minha parte preferida diga-se de passagem) e o Lex (Wolé Parks) tentando acabar com Clark. Outro ponto interessante que vale ressaltar é que um dos gêmeos herdou os poderes do Superman, mas a mistura com a genética de Lois, limita um pouco seus poderes. Mesmo assim o garoto é super forte e tem visão de calor. O fato de apenas um dos irmãos possuir poderes causa bastante atrito entre os dois o que gera conflitos interessantes para a trama. A fotografia e os efeitos especiais devem ser exaltados nessa análise. Cenas belíssimas estão nesse seriado. Tal qual Superman observando a Terra do espaço sob a luz do sol com a capa vermelha esvoaçante. O uso da câmera lenta durante as cenas de ação traz uma melhor percepção dos detalhes que a super velocidade do Superman nos impede de ver. * A série está disponível via streaming no HBOmax. E você? Tem muitos problemas familiares? Conte pra gente. _______________________________________________________ Sobre o autor: Vinicius Ramos Jornalista, apaixonado por cultura pop, quadrinhos, cinema e literatura fantástica. Tem o hábito de escrever diariamente, dormir pouco e cuidar de árvores pequenas. Goiano e goianiense, gosta de discussões longas, e animes complexos."
- Os Fins Justificam os Meios | O Príncipe | Resenha
O mais importante livro de ciência política que jamais existiu e provavelmente jamais existirá. O Príncipe de Maquiavel é o marco-zero de um novo tipo de ciência, relativamente nova, que a cada dia que passa se torna mais e mais importante para a nossa sociedade. E cada vez mais relevante pro cidadão comum brasileiro, já que o gigante que foi acordado em 2015 ainda não pode voltar a dormir. O livro se coloca como indispensável para qualquer um que intente governar um país, gerir uma empresa ou ser consciente. https://www.amazon.com.br/pr%C3%ADncipe-Nicolau-Maquiavel-ebook/dp/B07S1CCYCV O livro pode ser dividido em três partes. A primeira seria como um governante alcança o poder, a segunda como se mantêm o poder e a terceira como se perde o poder. Embora seja criticado por milhares de pessoas por apresentar uma forma inescrupulosa e por vezes imoral de se governar, é seguido por diversos governantes e políticos, independentemente de seu alinhamento político. Ou seja Presidentes de esquerda, Primeiros-Ministros de direita, facistas, ditadores, reis, papas entre outros tem sim seguido Maquiavél, o que demonstra que os conselhos dado por ele podem sim ser viabilizados por diversas entidades. Inclusive os que o criticam. Maquiavel nunca chegou a ser ele mesmo um “Príncipe”. Ainda assim de alguma maneira, mesmo sem ter governado nada, ele consegue escrever uma das maiores obras sobre governo da história. O autor do livro serviu por muitos anos como conselheiro ou como diplomata nas cortes de Lourenço diMédice, César Bórgia e na corte francesa. Então é impossível dizer que ele não tinha a mais parca ideia do que ele estava fazendo, ainda que não fosse um expert no assunto. Entretanto qualquer um envolvido na política europeia entre os séculos XV e XVI estava simplesmente no céu, ou no inferno, da análise política, a Itália, país de Maquiavel, em especial. De forma que beira o insano, especialmente numa época em que criticar um rei era sentença de morte, ele critica governos e enaltece outros. E apesar de seu tendencionismo quanto a alguns governos ele no geral aponta pontos positivos e negativos. Para Maquiavel as coisas são muito preto no branco, não no âmbito moral, mas no âmbito político. Existem bons e maus governantes; os que devem governar e aqueles que são totalmente incapazes de fazê-lo. Existem países que têm fácil governabilidade e aqueles que têm uma difícil, aqueles que têm problemas para tomar e aqueles que têm maior facilidade nesse processo. O livro inteiro é recheado desses paralelos entre o que em sua visão é certo ou errado, em termos de governabilidade e não de moral. Para Maquiavel a moral é para os fracos, mulheres e afeminados. O que apesar de parecer incrivelmente ofensivo deve ser olhado com profunda atenção. É verdade que muito do que ele diz seria politicamente incorreto nos dias de hoje, contudo é interessante notar que ao deixarmos de lado as cadeias da moralidade poderíamos, teoricamente, alcançar, enquanto governantes, um caminho de iluminação. Um governante não deve ser sufocado pela moralidade, ele deve governar, ser um bom governante, ainda que antiético. A partir do período renascentista a palavra estado passou a identificar a sociedade política de determinada localidade geográfica, muito em dívida ao que foi expresso no clássico livro de Nicolau Maquiavel: O Príncipe. A obra reinventa e resignifica a palavra para que possamos ter a visão que temos hoje. E ao estudar a formação do Estado de Direito é impossível não falar de Maquiavel, porque o cara é tipo super importante. Meu poto aqui é o cara é importantíssimo pra diversas áreas de estudo: política, direito, filosofia, sociologia, atualmente economia, RH, etc. Isso falando só desse livro. http://blog.brasilacademico.com/2019/03/o-que-realmente-significa-maquiavelico.html Associamos Maquiavel e consequentemente essa obra é algo ruim. O adjetivo maquiavélico designa algo que se caracteriza pela má-fé, como algo ardiloso, que envolve dolo. Ou seja, não exatamente o que o cidadão de bem espera ou como ele deve agir. A máxima maquiavélica, embora não presente nesse livro resume bem esse sentimento: “Os fins justificam os meios.” o que de muitas formas é verdadeiro para um governante, especialmente um que precede as ideias de constituição, um mais antigo que o governante em si que regule o poder dele. Se o intento é nobre é justificável que um príncipe se valha de quaisquer meios para alcançá-lo, sejam os meios éticos ou não. Não é necessário que os governantes sejam éticos, o que ele múltiplas vezes reitera. É difícil fazer uma análise do livro já que ele, por não ser um romance, e sim uma espécie de tratado. Ao mesmo tempo em que é difícil inovar falando sobre um assunto que tantos já falaram. Minha contribuição final é de que o livro é magnífico, e deve sim ser lido, mesmo por aqueles que não ambicionam serem governantes de qualquer tipo, pois os líderes provávelmente o lerão e aos que não ambicionam a liderança é interessante que sejamos mais do que massa de manobra. _______________________________________________________ Sobre o autor: Pedro Vieira Escrevo pois sou poeta, minhas ideias imaginárias no papel tomam forma e minha dor arte se torna.











