Wuthering Heights: Música e Literatura | Resenha
- Pedro Vieira

- 17 de mar. de 2022
- 4 min de leitura
O texto abaixo pode conter spoilers de O Morro dos Ventos Uivantes
Wuthering Heights, é uma história de muitas mídias. O livro escrito em 1847, diversos filmes, inspirou poemas, peças e músicas. Mas em especial uma música lindíssima de mesmo nome composta por Kate Bush em 1978, que é o que eu pretendo discutir aqui.

E essa música sozinha é a responsável por ter me tirado de uma, relativamente longa, ressaca literária. A música que conta parte da história do livro tocou um dia desses na minha playlist do spotify e eu gostei tanto que repeti ela umas dez vezes e aí eu fiquei:
“Wuthering Heights de onde eu conheço esse nome? 🤔🤔🤔”
Então eu fiz o que todo mundo faz quando não sabe de alguma coisa e pesquisei no google. O google me disse que era o nome do único livro da Emily Brontë: O Morro dos Ventos Uivantes. Em minha defesa, Wuthering Heights não é uma tradução direta para O Morro dos Ventos Uivantes. Mas a melhor parte eu não te conto: eu tinha o livro em casa, desde 2020, e não era o caso de ahh era um livro de outra pessoa da casa, não era um livro MEU.

Imediatamente comecei a lê-lo e MEU DEUS! Que livro maravilhoso, tô lendo devagar porque estou com pena de acabar. Quando eu terminar de ler eu escrevo uma resenha, mas voltando à música.
A Kate Bush, assim como eu, meio que descobriu sem querer a história desse livro, ela viu o finalzinho de um dos filmes que estava passando na televisão, descobriu que era um livro e começou a lê-lo. Daí ela compôs, antes mesmo de ter terminado de ler o livro, a música que é simplesmente maravilhosa. Enquanto isso, de forma não relacionada, ela estava no processo de gravação de um álbum de estúdio e colocou a música entre as outras que ela estava juntando para o projeto. Ela gravou a música e insistiu que essa fosse a primeira música a ser lançada. O que deu muito certo já que a música foi o maior sucesso da carreira da cantora.
A música retrata a história dos protagonistas da história Catherine “Cathy” Earnshaw e Heathcliff (sem sobrenome) que vivem uma trágica história de amor. Eventualmente a Cathy vem a falecer, o que não é nenhum spoiler já que isso é dito bem no começo do livro e a história é contada para nós em retrocesso.
A letra da música retrata a situação pela visão da Cathy que se encontra em um pós-vida numa forma fantasmagórica atormentando e fica batendo nas janelas clamando para entrar ao mesmo tempo em que se lembra da relação de amor e ódio que eles viveram. Ela literalmente diz: “Eu te odiei, eu te amei também” e a compositora não se absteve de retirar trechos diretos do livro para enriquecer a estrutura poética que ela estava contando.
O vídeo-clipe, ou melhor os vídeos-clipes já que ela fez dois. O primeiro foi distribuido principalmente no Reino Unido e o segundo nos Estados Unidos e mundo afora. A diferença dos vídeos é gritante, o primeiro foi gravado em um fundo preto a artista usava um vestido branco. Já no segundo ela está em um campo com neblina usando uma roupa vermelha.

O primeiro vídeo evoca uma atmosfera fantasmagórica, a cantora realmente passa a ideia de que ela é a Cathy na posição de um fantasma já que o fundo negro, a roupa branca criam um contaste interessante e partes diferentes são sendo justapostas uma sobre o outra, as vezes elas são espelhadas e por vezes ele tem uma espécie de retardo na imagem, ela se move e fica um eco da imagem dela se movendo atrás. O que traduz perfeitamente a ideia de que ela queria passar, e por a gente ter alguns momentos em que a câmera foca no rosto dela e a gente percebe que ela nunca pisca faz com que aumente o sentimento dela ser uma alma atormentada.
O segundo vídeo não é ruim, mas ele é ofuscado pelo primeiro. Não me entenda errado é um bom vídeo clipe, mas o primeiro é simplesmente extraordinário. Para quem leu o livro existe um certo reconhecimento na paisagem do vídeo, pois é a mesma em que a história se passa. O ambiente bucólico, com neblinas, campos, pequenos bosques e eu quase posso ver o pântano por detrás da colina em que ela está. A dança no vídeo, os movimentos que ela faz com o rosto passam muito mais a ideia de que ela está louca do que ela é um fantasma, o que dentro da história do livro faz sentido, mas se você ignorar isso não faz muito sentido.
A letra em si é maravilhosa e eu não poderia fazer jus a ela e analisá-la é difícil ser revelar detalhes específicos sobre a história que na música ficam velados. É uma música de extrema qualidade literária que se liga de maneira muito forte com o livro e é aprofundada por ele, embora funcione perfeitamente sozinha. Não entrarei em mais detalhes sobre a música eu realmente acho que você deveria ir checá-la porque é incrível.
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Sobre o autor:
Pedro Vieira
Escrevo pois sou poeta, minhas ideias imaginárias no papel tomam forma e minha dor arte se torna.




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