Os Fins Justificam os Meios | O Príncipe | Resenha
- Pedro Vieira

- 1 de dez. de 2021
- 4 min de leitura
O mais importante livro de ciência política que jamais existiu e provavelmente jamais existirá. O Príncipe de Maquiavel é o marco-zero de um novo tipo de ciência, relativamente nova, que a cada dia que passa se torna mais e mais importante para a nossa sociedade. E cada vez mais relevante pro cidadão comum brasileiro, já que o gigante que foi acordado em 2015 ainda não pode voltar a dormir. O livro se coloca como indispensável para qualquer um que intente governar um país, gerir uma empresa ou ser consciente.

O livro pode ser dividido em três partes. A primeira seria como um governante alcança o poder, a segunda como se mantêm o poder e a terceira como se perde o poder. Embora seja criticado por milhares de pessoas por apresentar uma forma inescrupulosa e por vezes imoral de se governar, é seguido por diversos governantes e políticos, independentemente de seu alinhamento político. Ou seja Presidentes de esquerda, Primeiros-Ministros de direita, facistas, ditadores, reis, papas entre outros tem sim seguido Maquiavél, o que demonstra que os conselhos dado por ele podem sim ser viabilizados por diversas entidades. Inclusive os que o criticam.
Maquiavel nunca chegou a ser ele mesmo um “Príncipe”. Ainda assim de alguma maneira, mesmo sem ter governado nada, ele consegue escrever uma das maiores obras sobre governo da história. O autor do livro serviu por muitos anos como conselheiro ou como diplomata nas cortes de Lourenço diMédice, César Bórgia e na corte francesa. Então é impossível dizer que ele não tinha a mais parca ideia do que ele estava fazendo, ainda que não fosse um expert no assunto. Entretanto qualquer um envolvido na política europeia entre os séculos XV e XVI estava simplesmente no céu, ou no inferno, da análise política, a Itália, país de Maquiavel, em especial.

De forma que beira o insano, especialmente numa época em que criticar um rei era sentença de morte, ele critica governos e enaltece outros. E apesar de seu tendencionismo quanto a alguns governos ele no geral aponta pontos positivos e negativos. Para Maquiavel as coisas são muito preto no branco, não no âmbito moral, mas no âmbito político. Existem bons e maus governantes; os que devem governar e aqueles que são totalmente incapazes de fazê-lo. Existem países que têm fácil governabilidade e aqueles que têm uma difícil, aqueles que têm problemas para tomar e aqueles que têm maior facilidade nesse processo.
O livro inteiro é recheado desses paralelos entre o que em sua visão é certo ou errado, em termos de governabilidade e não de moral.
Para Maquiavel a moral é para os fracos, mulheres e afeminados. O que apesar de parecer incrivelmente ofensivo deve ser olhado com profunda atenção. É verdade que muito do que ele diz seria politicamente incorreto nos dias de hoje, contudo é interessante notar que ao deixarmos de lado as cadeias da moralidade poderíamos, teoricamente, alcançar, enquanto governantes, um caminho de iluminação. Um governante não deve ser sufocado pela moralidade, ele deve governar, ser um bom governante, ainda que antiético.
A partir do período renascentista a palavra estado passou a identificar a sociedade política de determinada localidade geográfica, muito em dívida ao que foi expresso no clássico livro de Nicolau Maquiavel: O Príncipe. A obra reinventa e resignifica a palavra para que possamos ter a visão que temos hoje. E ao estudar a formação do Estado de Direito é impossível não falar de Maquiavel, porque o cara é tipo super importante. Meu poto aqui é o cara é importantíssimo pra diversas áreas de estudo: política, direito, filosofia, sociologia, atualmente economia, RH, etc. Isso falando só desse livro.

Associamos Maquiavel e consequentemente essa obra é algo ruim. O adjetivo maquiavélico designa algo que se caracteriza pela má-fé, como algo ardiloso, que envolve dolo. Ou seja, não exatamente o que o cidadão de bem espera ou como ele deve agir. A máxima maquiavélica, embora não presente nesse livro resume bem esse sentimento: “Os fins justificam os meios.” o que de muitas formas é verdadeiro para um governante, especialmente um que precede as ideias de constituição, um mais antigo que o governante em si que regule o poder dele. Se o intento é nobre é justificável que um príncipe se valha de quaisquer meios para alcançá-lo, sejam os meios éticos ou não. Não é necessário que os governantes sejam éticos, o que ele múltiplas vezes reitera.
É difícil fazer uma análise do livro já que ele, por não ser um romance, e sim uma espécie de tratado. Ao mesmo tempo em que é difícil inovar falando sobre um assunto que tantos já falaram. Minha contribuição final é de que o livro é magnífico, e deve sim ser lido, mesmo por aqueles que não ambicionam serem governantes de qualquer tipo, pois os líderes provávelmente o lerão e aos que não ambicionam a liderança é interessante que sejamos mais do que massa de manobra.
_______________________________________________________

Sobre o autor:
Pedro Vieira
Escrevo pois sou poeta, minhas ideias imaginárias no papel tomam forma e minha dor arte se torna.




Comentários