Mortal Kombat 2021: O festival de fan-service | Análise
- Vinicius Ramos

- 19 de jan. de 2022
- 6 min de leitura

Pra quem, assim como eu, cresceu jogando Mortal Kombat 3 no Super Nintendo, sabe como a expectativa aumenta a cada novo filme dessa franquia. Quando um fã se dispõe a ver um filme baseado em uma série de videogame, esperamos que os atores façam tudo que os nossos personagens preferidos fazem no jogo.
Nesse filme de 2021, eles se esforçaram ao máximo para chegar próximo disso. Sabemos que nem tudo que fazemos jogando é possível reproduzir na tela. Algumas coisas que acontecem no videogame não precisam de explicação, basta que elas aconteçam apenas para nos divertirmos. Por exemplo:
Quando o Scorpion aplica aquele fatality que ele cospe fogo no adversário, o jogador não liga para como ele consegue cuspir fogo. Quem está se divertindo só quer ver o outro personagem queimar. Agora, quando se trata de um contexto audiovisual, tudo tem de ser bem explicado.
O enredo
Muito depois do sucesso do jogo, todo o lore dos personagens foi desenvolvido. Só então tivemos conhecimento que cada personagem possui uma história pregressa que o levou ao Mortal Kombat.
Pra quem não sabe, ou apenas não se lembra, o Mortal Kombat é um torneio de artes marciais lendário, onde guerreiros são selecionados para defender o próprio planeta. O torneio ocorre entre algumas dimensões. Aos que perdem o torneio, tem seu planeta dominado pelo vencedor. Bem resumidamente, é isso.
[SPOILER}Um defeito pesado desse filme de 2021 é que o torneio nem chega a acontecer. Tudo se desenrola na expectativa da batalha decisiva. Toda a trama se desenvolve com uma tentativa de Shang Tsung sabotar os guerreiros da Terra. Ele invade o plano terreno e tenta acabar com os escolhidos antes do torneio. [SPOILER}
Outro ponto que gostaria de destacar, foi a maneira como os poderes dos personagens foram introduzidos na trama. Os poderes aqui são chamados de Arcanas. Cada um dos escolhidos para lutar no Mortal Kombat, carrega uma marca de dragão em algum lugar do corpo. Durante o treinamento cada lutador vai descobrir sua Arcana.
Os personagens.
Talvez o protagonista Cole seja o mais sem graça de todos. Na tentativa de atualizar a narrativa para algo mais contemporâneo, Cole é lutador de MMA, e mesmo assim não foi o suficiente para ser um bom personagem. Primeiro que não faz parte do lore da franquia, segundo seus poderes não são nada legais. A arcana de Cole se resume a uma armadura e dois bastões tonfa, que surgem do nada.
Vários dos personagens de MK não estão presentes no filme, mas existem muitas referências ao longo da obra sobre cada um deles. Jhonny Cage por exemplo, não aparece em nenhum momento, mas no fim, há um poster de Hollywood escrito “Cage”, como uma referência ao personagem.
Outro personagem que aparece veladamente é Nightwolf. Quando é mostrado o painel de pesquisas de Sônia, um desenho do índio aparece em destaque por alguns segundos.
Já no templo de Raiden, quando os lutadores da Terra e da Exoterra se encontram pela primeira vez, existe um leque azul com várias lâminas ao fundo da cena, referência clara a Kitana.
Durante um diálogo, Liu Kang cita seu mestre, Bo Rai Cho, que o levou a ordem de monges que servem ao templo de Raiden.
Nesse tópico, vou conseguir explicar melhor o porquê do título desse texto. Os personagens nesse filme ficaram muito semelhantes ao que estamos acostumados nos videogames. Vou falar mais detalhadamente de cada um deles.

Liu Kang
Aqui ele aparece como um monge no meio do deserto. Faz parte de uma ordem liderada por Raiden e é o encarregado de instruir os outros participantes sobre as regras do torneio e sobre o destino da Terra caso percam.
Ao ser apresentado aos outros personagens, Liu Kang já descobriu sua Arcana e não economiza em usá-la. Toda hora é fogo! Fogo nas mãos para iluminar o caminho, fogo para aquecer as vítimas de Sub-zero e fogo para atacar os inimigos, nem precisa falar. A respeito do “fan service”, Liu Kang executa um de seus fatalitys mais famosos. Na minha época era conhecido como “animality” onde um dragão come metade do adversário. E para quem é fã dar aquele grito de orgulho, ele também faz o seu clássico golpe da bicicleta.
Kung Lao
Esse foi muito bem representado na tela. Além do figurino extremamente parecido com o jogo, Kung Lao faz tudo o que realmente deveria fazer. Ele surge do chão, arremessa o chapéu e corta tudo que encontra. E a parte mais incrível foi o fatality clássico dos videogames.
Ele joga o chapéu no chão, a lâmina gira em alta velocidade e corta um dos personagens ao meio. E como se já não fosse “fan service” suficiente ele diz: “flawless victory”. Nesse momento eu quase dei um grito sentado no sofá. Achei bem legal não traduzirem alguns termos. Isso nos aproxima mais ainda dos videogames, mantendo a linguagem original. Bem ao contrário do que aconteceu no filme de 1995 em que Shang Tsung diz: “Fatalidade”, tenha santa paciência!
Kabal
Esse personagem também ficou bem parecido, com os mesmos problemas respiratórios e as mesmas armas de ganchos. Mesmo trabalhando para o lado do mal, me empolguei bastante quando ele usa super velocidade durante as lutas. A única diferença foi não deixar os adversários tontos.
Mileena
Essa personagem é bastante famosa na franquia pelo seu sorriso. Pra quem não conhece, garanto que chama a atenção de qualquer um que a veja pela primeira vez. Aqui entra uma pequena crítica, apesar de manter as armas (sais) sua vestimenta não se assemelha em nada com a fantasia rosada de ninja. Sem contar a boca, bem característica, que foi substituída por apenas dentes pontudos.
Kano
O melhor personagem de todos, na minha opinião(nesse filme). Interpretado por Josh Lawson que também fez o farmacêutico frustrado Tate na série Superstore. Por se tratar de um ator de comédia, é risada do início ao fim em cada segundo de tela. A dublagem ajudou bastante com as piadas.
A única coisa que meio que deixa a desejar é a origem do personagem. No filme, Kano é atacado por Reptile e sofre um ferimento no rosto. Daí em diante, não perde a visão nem usa a clássica máscara, contudo a sua arcana trata-se de um raio laser que sai de seu olho esquerdo. Esse laser é o fatality de Kano.

Sub-Zero
Pelo menos nesse filme, ele usou seus poderes de forma satisfatória, congelando partes do corpo dos adversários, balas atiradas por eles ou mesmo congelar o sangue em pleno ar, formando objetos cortantes durante a luta. No momento em que é derrotado, Shang Tsung cobre seu corpo com sombras, prenunciando sua volta como Noob Saibot.
Scorpion
Nesse filme, Scorpion tem um arco bem definido. Desde o início do filme, sabemos das motivações de vingança que levaram Hanzo Hasashi, a se tornar o ninja do inferno. Depois de ter o clã e a família dizimada por Sub-zero (Bi-han), jurou vingança, e aguardou por eras até a oportunidade de devolver o favor.
Jax
Esse eu não entendi bem. A origem dele foi bem mal colocada no enredo do filme. Em uma luta com Sub-Zero ele tem os braços congelados e amputados logo em seguida. Em recuperação no templo, os monges constroem próteses metálicas para que ele recupere os movimentos dos braços, contudo as próteses evoluem de repente em um momento de necessidade. Não ficou bem explicado se essa evolução é a descoberta de sua arcana ou apenas magia de cinema.
Raiden
Com toda humildade do mundo, achei esse Raiden muito jovem para o papel. A sabedoria que o personagem carrega não conseguiu ser passada pelo ator. Não que ele não atue bem, mas parece que não se encaixou no papel. Também é bem difícil sentar na mesma cadeira que Christopher Lambert e superá-lo.
Shang Tsung
Apesar de mal, vingativo e trapaceiro, não me convenceu. A parte boa foi que ele manteve sua habilidade de roubar almas, mas não de se transformar nas pessoas que mata. Assim como Raiden parece jovem demais para o papel.
Por fim...
O filme de 2021 contou uma história completamente diferente do que estamos acostumados a ver. A História de Mortal Kombat já é boa por si só, sem muito o que acrescentar. Os games já nos entregaram uma trama convincente e que a maioria de nós já aprendeu a amar. Tentar criar novas origens para os personagens ou acontecimentos que não fazem parte da cronologia canônica da franquia é um insulto aos fãs.

Assistir esse filme vale pelos combates, para testar a habilidade de reconhecer as referências aos games e pelas risadas que Kano nos entrega a cada frase que fala durante o filme. Além disso, nada mais convenceria alguém a se empolgar para ver esse filme, mesmo com a pesada carga de “fan service”.
E você aí? Já assistiu ao filme? Diga nos comentários o que você achou dessa nova adaptação.
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Sobre o autor:
Vinicius Ramos
Jornalista, apaixonado por cultura pop, quadrinhos, cinema e literatura fantástica. Tem o hábito de escrever diariamente, dormir pouco e cuidar de árvores pequenas.
Goiano e goianiense, gosta de discussões longas, e animes complexos."




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