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Studio Ghibli: Animações Para Assistir Antes De Morrer | Listas


A Viagem de Chihiro © 2001 Studio Ghibli. Todos os direitos reservados.


O Studio Ghibli é um estúdio de animação japonês, fundado em 1985, e que é responsável por grande parte da minha infância (e vida adulta também).


Segundo a minha avó, a primeira vez em que tive contato com as animações do Ghibli foi em 2003, quando ela me levou para assistir A Viagem de Chihiro no cinema. Mas o que eu lembro mesmo é de ver o DVD do filme em casa, pelo menos duas vezes por dia, durante vários anos. Não à toa, esse é o meu longa favorito de todos os tempos (e o único DVD que ainda tenho guardado).


Quando eu era criança, o que mais me encantava nas animações era a fantasia envolvida nas histórias: o dragão que virava menino, a bruxa que se transformava em ave, poeirinhas mágicas, o gato ônibus, o castelo que estava sempre andando e toda a construção mágica dos cenários.


Hoje, tudo isso ainda me fascina, mas a análise mais profunda das obras torna a experiência ainda mais incrível. Os temas, que continuam sendo atuais mesmo depois de décadas, ganham vida de um modo leve, mas sem abrir mão de dilemas reais. E é exatamente esse equilíbrio que mostra que as animações não são feitas só para crianças e que, ao mesmo tempo, a infância sempre tem algo para acrescentar na nossa perspectiva sobre a vida, independente da idade.


Por esses motivos (e por tantos outros que você pode descobrir por conta própria), eu digo: você não pode morrer sem assistir a pelo menos uma animação do Studio Ghibli. E é claro que eu tenho três dicas para começar.


Meu Amigo Totoro (1988)

Meu Amigo Totoro © 1988 Studio Ghibli. Todos os direitos reservados.


Ok, vamos lá: Meu Amigo Totoro é o terceiro filme do estúdio de animação, dirigido e escrito por Hayao Miyazaki (um dos fundadores do estúdio) em 1988. Ele traz uma história bem gostosinha e fácil de acompanhar. É um bom filme para começar a conhecer o incrível mundo do Studio Ghibli.


A animação se passa no Japão pós-guerra rural e se concentra em duas irmãs que se mudam para o interior do país com o pai. A mudança acontece para que a família fique mais perto da mãe, que está doente e internada em um hospital da região.


Na casa nova, as garotas conhecem criaturas mágicas que habitam a floresta e se tornam grandes amigas de um deles: Totoro. A partir de então, elas passam boa parte do tempo desvendando a vida e o mundo na companhia do novo amigo.


O melhor do filme, na minha opinião, é a beleza encontrada nas pequenas alegrias do dia a dia, que reforçam o otimismo e o lado bom da vida sem precisar negar a realidade, que muitas vezes não é tão boa quanto a gente espera. Meu Amigo Totoro nos ensina que não dá para esperar a felicidade chegar num futuro, mas que nós podemos vivê-la em detalhes do cotidiano.



O Serviço de Entregas da Kiki (1989)

O Serviço de Entregas da Kiki © 1989 Studio Ghibli. Todos os direitos reservados.


Depois de Meu Amigo Totoro, o Studio Ghibli lançou O Serviço de Entregas da Kiki, que também traz Hayao Miyazaki na direção e roteiro da obra. Ele foi o mais lucrativo de 1989 e é considerado o primeiro sucesso comercial do estúdio.


Resumindo, a animação conta a história da bruxa Kiki, que, seguindo a tradição de sua família, deixa a casa de seus pais ao completar 13 anos. Assim, a garota precisa se mudar para uma cidade nova e que não possua bruxas, a fim de se virar sozinha e aprender as lições da vida, como se estivesse em um estágio de trabalho.


Não é preciso conferir o filme para perceber que a narrativa explora a independência e a confiança das garotas adolescentes. Aliás, esse é um ponto que chama muita atenção nesse e nos outros filmes do estúdio, que deixam o protagonismo para as mulheres e mostram às crianças e jovens que elas podem fazer de tudo. Perspectiva que não era abordada com frequência na época e que, mesmo hoje, precisa melhorar.


Além disso, o filme explora as habilidades que cada pessoa carrega dentro de si, assim como os desafios da vida real que a gente enfrenta e que nos ajudam a encontrar e criar uma identidade única e especial. Também podemos notar a importância das relações humanas para a construção de uma boa sociedade, onde o respeito, a empatia e a educação são essenciais para tornar nossa trajetória mais fácil e agradável (coisa que muito adulto ainda não entende).


A Viagem de Chihiro (2001)

A Viagem de Chihiro © 2001 Studio Ghibli. Todos os direitos reservados.


Como disse, esse é meu filme-favorito-de-todos-os-tempos, e é óbvio que ele ia estar nessa lista. Mas não sou só eu que acho ele incrível: o longa, que também é dirigido e escrito por Miyazaki, ganhou o Oscar de melhor animação em 2003. Até hoje, ele é o único vencedor da categoria que não apresenta o inglês como idioma oficial.

A Viagem de Chihiro foca... na Chihiro: uma menina de 10 anos que está de mudança com os pais para uma casa nova (aliás, você reparou como as mudanças são essenciais para as narrativas das animações?). No caminho, eles acabam parando em um vilarejo que parece estar abandonado e começam a explorá-lo. Lá, eles encontram um restaurante aberto e os pais de Chihiro decidem parar para comer, enquanto a garota continua a andar pelo local.


Quando a tarde está chegando ao fim, um menino misterioso, Haku, aparece e manda a garota sair da cidade - que começa a ganhar vida - antes que a noite chegue. Assustada, ela vai atrás de seus pais, apenas para descobrir que os dois viraram porcos. Sim, porcos.


Para quebrar o feitiço que transformou seus pais e conseguir voltar para a vida normal, Chihiro precisa aceitar um trabalho em uma casa de banhos da vila, que é o ponto de partida para a aventura principal da trama.


De todos os filmes do Studio Ghibli, esse é o que considero mais complexo. A animação apresenta aos telespectadores uma mudança muito importante, que não se trata da nova casa para onde Chihiro está indo no começo do filme, mas sim de sua transição de criança para adulta, com uma vida cheia de desafios e que demanda, acima de tudo, muita coragem e caráter.


Depois de assistir à obra completa, você vai perceber também que Miyazaki usa dos elementos animados - e até fofos - para expor críticas sérias à falta de cuidados com o meio ambiente e à ganância que toma conta da sociedade. Bem atual para um roteiro lançado há 20 anos, né?


*


Bom, essas são as minhas sugestões. Espero que eu tenha te convencido a assistir a pelo menos um dos filmes. Se sim, só tenho mais uma dica para hoje: todas as animações do Studio Ghibli estão disponíveis na Netflix. Se eu fosse você, iria conferir o catálogo agora mesmo.




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Sobre a autora:


Luiza Ozaki


Curiosa e fofoqueira que gosta de saber um pouco sobre tudo e falar (ou escrever) pelos cotovelos. Choro com série de comédia e amo um spoiler de novela.




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