top of page

Battle Royale: "É tipo Jogos Vorazes... só que bom" | Análise

Atualizado: 6 de set. de 2021


Um grupo de jovens é colocado em uma arena por um governo totalitário. Eles devem matar uns aos outros até que só reste um ganhador. Parece Jogos Vorazes, mas também é Battle Royale.



A primeira vez que eu ouvi falar de Battle Royale eu estava numa livraria. Namorando os livros da seção de fantasia, imaginando como seriam as histórias que habitavam a longínqua Terra Média ou a fascinante Westeros, quando eu ouvi dois jovens conversando.


Eu não estava prestando atenção, estava mais preocupado em formular uma teoria de como eu ia pedir aos meus pais que comprassem um livro pra mim, quando um deles disse ao outro:


— Cara, tu tem que ler esse livro é o melhor livro que eu já li, Battle Royale.


E se uma pessoa qualquer disser esse é o melhor livro que eu já li eu vou pelo menos querer dá uma olhada no livro. Nisso eles meio que tiveram uma conversa sobre o livro e uma frase que disseram me marcou:


— Esse livro é tipo Jogos Vorazes, só que bom.


O hype de Jogos Vorazes já tinha passado um pouco, fazia alguns anos que tinham lançado o último filme, mas só fui começar a ler Jogos Vorazes depois de ver todos os filmes, então eu meio que ainda tava no hype. E eu tinha quinze anos e Jogos Vorazes era, tipo, uma das melhores séries que eu já tinha lido na vida. Não era tão bom quanto Divergente, mas estava lá no Top 5.


Nisso, meu primeiro pensamento foi:


— Como assim Jogos Vorazes só que bom? Ele não gostou de Jogos Vorazes?


Aí ele caiu um pouco no meu conceito, já que como eu disse JV era tudo pra mim. Mas se eu desconsiderasse que ele não gostava da trilogia, ele tava dizendo que tinha um livro que não só era “tipo Jogos Vorazes’, mas ainda melhor do que Jogos Vorazes.

Eu precisava ler esse livro.


Então depois que eles foram embora eu corri até a estante em que eles estavam e fiquei caçando o livro. Eu não sabia onde ele estava na estante, então eu segui o sentido Esquerda-Direita Cima-Baixo — o que foi um erro, já que o livro estava na penúltima prateleira, mas tudo bem — até que eu achei o livro e é o que importa.


Então eu li a sinopse do livro e… MEU DEUS eu me apaixonei na mesma hora!


“Adeus titio G. Martin”, “bye-bye Tolkien”, tudo o que eu queria ler no momento era Koushun Takami — e graças a Deus eu estou escrevendo e não falando por que eu ia falar esse nome errado.


A sinopse é bem simples, quer dizer, se você leu ou viu o primeiro Jogos Vorazes é exatamente a mesma ideia: governo totalitarista força jovens em idade escolar a se matarem numa arena, até só sobrar um. Tanto que a Suzanne Collins foi acusada de plágio quando ela lançou o livro dela. Mas se a gente considerar que todas as histórias tem a sua particularidade e algo a oferecer, o que o Takami disse ao se recusar a processar Collins, as histórias são bem diferentes. Apesar de terem premissas similares, os detalhes as diferenciam. E é nos detalhes que Takami brilha.


Pra começo de conversa, Battle Royale não é YA. E nada contra o YA, mas por ser voltado pro público adulto, são permitidas algumas liberdades que não são cabíveis se o livro fosse direcionado para um público mais jovem. Sendo assim: palavrões, cenas de sexo e muito mais sangue estão presentes nas páginas desse livro.





O autor segue uma linha interessante ao nos fornecer uma lista de personagens no começo do livro e quase sempre mencionando os personagens pelo número da chamada. Os competidores são 42 alunos de uma mesma turma de nono ano, e vamos conhecer cada um deles, nem que seja apenas para vê-los morrendo ao final do capítulo - o que pode irritar algumas pessoas.

O autor é japonês e o livro se passa num Japão socialista que busca, entre outras coisas, se distanciar da influência do governo americano. Então os nomes são todos nomes japoneses e a lista com os números da chamada são muito importantes pra você saber quem é quem.


Saber quem vive e quem morre, no caso.


O livro começa com uma explicação do que é um battle royale, basicamente uma luta de todos contra todos, ele poderia só dizer isso, mas ele decide criar um monólogo de um aficionado por luta livre explicando o que é essa modalidade de luta livre profissional. E é incrível, eu leria um livro sobre o cara que explica o que é battle royale. Porque o cara parece ser um maluco e eu gosto de malucos.


O livro é grande, com pouco mais de 660 páginas, dividido em 6 partes, com um total de 80 capítulos , contando epílogo e prólogo. Ao final de cada capítulo conta-se o número de participantes vivos, o que é bom pra você ter uma ideia de como tá indo a coisa.


E o final, apesar de não ser exatamente imprevisível, é surpreendente.


O livro foi extremamente popular no Japão, tanto que rendeu um filme em 2000. Quentin Tarantino falou que essa é a história que ele sempre quis filmar e quem sabe ele decida fazer isso, afinal tá todo mundo regravando filmes antigos. O livro concorreu ao prémio Japan Grand Prix Horror Novel em 1997, e chegou à final, mas foi desclassificado — já que os juízes acharam o plot muito controverso. O livro foi publicado somente dois anos depois e, além do filme, recebeu uma série de mangás Seinen. O longa ainda rendeu uma sequência em 2003, que não foi baseada no livro.





Em resumo: o livro é incrível e acerta onde Jogos Vorazes falha. Seja você alguém que não gostou da obra da Suzanne Collins, ou alguém que gostou e quer ler algo à sua maneira. Parecido e, ao mesmo tempo, diferente, este é um ótimo livro.



_______________________________________________________







Sobre o autor:


Pedro Vieira, x anos


Escrevo pois sou poeta, minhas ideias imaginárias no papel tomam forma e minha dor arte se torna.

Comentários


bottom of page