Alma Gêmea: 15 anos de uma novela inesquecível | Resenha
- Erick Henrique

- 15 de set. de 2021
- 6 min de leitura
Atualizado: 18 de set. de 2021

“Carne e unha, alma gêmea, bate o coração...” É impossível se esquecer dessa música e não associá-la à novela Alma Gêmea, um grande sucesso da Rede Globo nos anos 2000, e que ainda é lembrada por muitos, principalmente pelos que cresceram assistindo na TV com a família no início da noite ou até mesmo pela tarde, quando foi reexibida pelo Vale a pena ver de novo.
A produção foi um êxito em todos os sentidos, na história, na temática, na trilha sonora e, principalmente, nos personagens, que cativaram bastante o público e continuam vivos até hoje na memória popular.
Relembre a trama
Alma Gêmea era uma trama de época e se passava na fictícia e pequena cidade de Roseiral, em São Paulo, e contava a história de dois jovens, Rafael e Luna, um botânico e uma bailarina, que se apaixonaram, se casaram e tiveram até um filho, mas logo foram vítimas de um destino muito cruel: no dia de sua apresentação como bailarina no Teatro Municipal de São Paulo, Luna foi vítima de um assalto ao roubarem suas joias e, para salvar Rafael, acabou levando um tiro de um dos bandidos em seu lugar, morrendo logo após chegar ao hospital.
O que ninguém imaginava, porém, era que o roubo havia sido encomendado pela própria prima de Luna, Cristina, que sempre teve inveja dela e achava que tinha direito sobre as joias por ser a neta mais velha da família. Além disso, Cristina sempre foi apaixonada por Rafael, por isso, com a morte de Luna, resolveu se aproveitar do seu momento de fraqueza para conquistá-lo aos poucos e assim, um dia, conseguir se casar com ele, que nunca mais foi o mesmo após a morte da esposa.

Rafael (Eduardo Moscovis) e Luna (Liliana Castro) juntos. (Foto: Divulgação/TV Globo)
Enquanto isso, longe dali, nascia Serena, uma indígena que na verdade era a reencarnação de Luna, que havia voltado para ficar ao lado de Rafael novamente, já que os dois eram almas gêmeas. Serena cresceu em sua aldeia, e desde criança tinha visões com uma rosa branca em um lago numa gruta.
Estas visões indicavam justamente que ela tinha uma missão a cumprir: a rosa branca era a rosa que Rafael havia criado para Luna, o símbolo do amor dos dois, portanto, Serena precisava partir para a cidade e reconquistar Rafael sendo ela mesma, ainda que com a alma de Luna.
Assim, após uma série de eventos, a indígena parte rumo a São Paulo e finalmente encontra o botânico, sendo contratada para trabalhar como empregada em sua casa, mas não era uma tarefa tão simples conquistar seu amor, pois quase todos, inclusive Rafael, a desprezavam e muitos não acreditavam que Serena, sendo uma indígena, poderia ser Luna, que em outra vida era uma bailarina.
Porém, com o passar do tempo, Rafael começa a nutrir sentimentos por Serena e, ao perceber isso, Cristina resolve fazer de tudo para impedir esse romance, armando diversos planos para separar o casal juntamente ao lado de sua ambiciosa mãe, Débora.

Serena (Priscila Fantin) e Rafael (Eduardo Moscovis) juntos. DIVULGAÇÃO/GLOBO
A inveja de Cristina, prima de Luna e antagonista da história, transformou ela numa verdadeira vilã. Um sentimento cada vez mais alimentado por sua mãe, Débora, uma mulher gananciosa que não se conformava em depender do dinheiro da irmã e por isso, incentivava a filha a dar um golpe em Rafael a fim de se casar com ele e assim, ficarem ricas.
A atuação de Flávia Alessandra – por exemplo – como Cristina foi de tirar o fôlego. Ela se deu inteiramente à personagem e atraiu a atenção dos telespectadores, que ficavam impressionados no quanto Cristina parecia real, desde o arquear de suas sobrancelhas e seus movimentos até suas risadas maléficas e seus ataques de fúria. Sempre acompanhada de sua mãe, as duas faziam uma dupla perfeita quando se tratava de planos ardilosos para passar por cima de tudo e de todos e, assim, alcançarem seus objetivos.
Espiritismo

Débora (Ana Lúcia Torres) e Cristina (Flávia Alessandra), mãe e filha. (veja.com/VEJA)
A novela não só trazia uma clássica e forte história de amor, mas também uma temática muito bem abordada: o espiritismo, com enfoque na reencarnação.
Na trama, as cenas onde Serena se encontrava com sua própria alma através de um espelho são marcantes de se lembrar, além das suas tentativas de se recordar de seu passado como Luna com a ajuda do Dr. Julian, um médico especialista em fenômenos espirituais.
Também não podemos nos esquecer de Alexandra, esposa do Dr. Eduardo, amigo de Rafael, uma mulher com uma grave doença mental e bastante sensitiva, tendo uma vez ou outra ataques de fúria ao ser possuída por um espírito maligno. Sua trama chamou bastante a atenção do público, principalmente pelo tom sombrio das cenas em que a personagem aparecia.
Tramas paralelas

A terceira da esquerda para a direita, Divina (Neusa Maria Faro); ao meio, dona Ofélia (Nicette Bruno); e por último, à direita, Osvaldo (Fulvio Stefanini). Foto: Márcio de Souza/Globo
O núcleo da pensão também se destacou: Osvaldo e Divina, donos de uma pensão numa vila, sempre viviam em meio a confusões com a família e os moradores do local. Os dois, juntamente com dona Ofélia, mãe de Divina, brilhantemente interpretada pela nossa querida e eterna atriz Nicette Bruno, caíram nas graças do público.
Dona Ofélia não gostava do genro, Osvaldo, já que este era um simples sapateiro e ela sempre sonhou que a filha se casasse com um homem de posses, assim, genro e sogra viviam sempre em pé de guerra. Enquanto Osvaldo xingava dona Ofélia, a velhinha contava tudo para a filha, que em resposta, dizia o icônico bordão “Osvaldo, não fale assim com a mamãe”.
A história também trazia a divertida Olívia, amiga de Luna e Rafael, uma mulher rica e casada que logo viu sua vida virar pelo avesso ao ser enganada pelo marido e perder tudo o que tinha, indo morar na mesma vila da pensão com os filhos.
Olívia passa grande parte da trama tentando se adaptar à nova realidade, já que teve que abrir mão de todo o luxo e conforto que tinha, ao mesmo tempo que vive um romance tórrido e divertido com o bruto, mas carinhoso cozinheiro, Vitório, filho de Osvaldo e Divina, que não suportavam ver o filho se envolver com uma mulher “separada”, que era como eles se referiam à Olívia.
Havia também a bela trama de Felipe, filho de Rafael e Mirela, filha de Olívia, que eram apaixonados um pelo outro, mas impedidos de ficarem juntos pelo pai da jovem, Raul, ex-marido de Olívia e um homem bastante interesseiro e aproveitador.

Olívia (Drica Moraes) e Vitório (Malvino Salvador). Foto: TV Globo
Ainda, é mostrado o núcleo de Mirna e Crispim, dois irmãos que moravam em um sítio com o tio, Bernardo, e viviam brigando: enquanto Mirna fazia de tudo para conquistar um rapaz e se casar com ele ao convidá-lo para ir à sua casa, Crispim expulsava todos os pretendentes da irmã logo após gritar o clássico bordão “Miiiiiiirnaaaa!!!!” e os jogava no chiqueiro de seu sítio.

Felipe (Sidney Sampaio) e Mirella (Cecília Dassi). Foto: Márcio de Souza/TV Globo
Além da irmã, Crispim também queria se casar, mas com uma mulher que o desprezava, Kátia, por quem ele era apaixonado e vivia correndo atrás. Os dois juntos, inclusive, renderam muitas cenas divertidas e engraçadas.
É inesquecível...

Mirna (Fernanda Souza), Crispim (Emilio Orciollo Netto) e tio “Nardo” (Emiliano Queiroz). (Foto: Reprodução/TV Globo)
Uma novela que ia de amor à comédia. Um clássico da Rede Globo. Uma história gostosa de se assistir que reunia a família em frente à TV todos os dias para acompanhar a história de amor entre Serena e Rafael, as artimanhas de Cristina e sua mãe, Débora e as divertidas confusões entre Crispim e Mirna, Osvaldo e Ofélia e Olívia e Vitório. Personagens inesquecíveis e cenas tristes, engraçadas e arrepiantes do início ao fim da trama. Além de trazer belas mensagens ao final daquele seu épico último capítulo, como “A alma é o verdadeiro ser do homem”.
Assim, Alma Gêmea foi e continua sendo para muitos, especialmente para mim, uma verdadeira lição sobre espiritualidade, amor e esperança que me tocou e ainda toca tão profundamente.
E você, o que achava dessa novela? Quais eram seus personagens favoritos?
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Sobre o autor:
Erick Henrique
Sou graduando em Rádio, TV e Internet na UERN, amo filmes, séries e telenovelas e cultura pop no geral. Gosto de um bom café pra quase todas as horas e de boas companhias ao meu lado.




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